ICAN

Grupo antinuclear leva o prêmio Nobel da Paz

Iniciativa vencedora engloba mais de 400 ONGs que lutam pelo fim desse tipo de armamento

Três japoneses que sobreviveram a ataque de bomba atômica posaram com seus apoiadores para celebrar a premiação concedida à aliança internacional ( Foto: AFP )
00:00 · 07.10.2017

Estocolmo/Genebra. A Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares (ICAN, em inglês) venceu o Prêmio Nobel da Paz, na sexta-feira (6), após uma década de esforços para proibir a bomba atômica, em um contexto de tensão com Coreia do Norte e Irã.

Setenta e dois anos depois de as bombas atômicas americanas caírem sobre Hiroshima e Nagasaki, o Comitê do Nobel quis ressaltar os incansáveis esforços da ICAN para livrar o mundo das armas nucleares. Com isso, também enviou uma mensagem às potências nucleares para que iniciem "negociações sérias" destinadas a eliminar seu arsenal.

"Vivemos em um mundo onde o risco de que utilizem as armas nucleares é o mais alto que já existiu", declarou a presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Berit Reiss-Andersen.

> Contexto de crise entre potências é pano de fundo

"Alguns países modernizam seus arsenais nucleares, e o risco de que cada vez mais países se dotem de armas nucleares - como a Coreia do Norte - é real", acrescentou. Após os prêmios científicos e de literatura, esperava-se que o Nobel recompensasse neste ano os esforços para eliminar as armas nucleares, ou impedir sua proliferação. Nesta edição, o número de candidatos ao Nobel da Paz chegou a 318.

Em sua primeira reação ao prêmio, a ICAN criticou diretamente o presidente americano, Donald Trump, diante dos riscos de um incidente nuclear no mundo. "A eleição do presidente Donald Trump incomodou muita gente pelo fato de que pode autorizar por si só o uso das armas nucleares", declarou a diretora da ICAN, Beatrice Fihn, à imprensa em Genebra.

"As armas nucleares não dão segurança, nem estabilidade", como demonstra o fato de as pessoas nos Estados Unidos, no Japão, ou na Coreia do Norte, não se "sentirem especialmente seguras", acrescentou. "Esse prêmio não vai contra ninguém", destacou Reiss-Andersen.

Fim das armas nucleares

Reunindo mais de 400 ONGs, a ICAN milita incansavelmente há quase dez anos pela supressão do armamento nuclear.

Impulsionou um histórico tratado de proibição das armas nucleares que foi adotado por 122 países em julho, embora seu alcance seja, sobretudo, simbólico, dada a ausência das nove potências nucleares entre os signatários. Depois do anúncio do prêmio, os EUA voltaram a afirmar que "não assinarão" o tratado de proibição de armas atômicas apoiado pela ICAN, mas garantiram seu compromisso para "criar as condições para um desarmamento nuclear".

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