Na Argentina

Governo Macri anuncia corte de ministérios

Para evitar uma fuga de capitais e a consequente maxidesvalorização do peso, Casa Rosada baixa pacote econômico

00:00 · 04.09.2018 / atualizado às 12:29
Image-0-Artigo-2448512-1
Chefe do Executivo argentino Mauricio Macri comparou o atual momento de pressão de sua gestão com o sequestro que ele sofreu nos anos 1990 ( FOTO: AFP )

Buenos Aires. O governo argentino anunciou, ontem, um pacote de medidas para estabilizar a economia, que vem sofrendo nos últimos cinco meses "uma tormenta", nas palavras do presidente Mauricio Macri, na qual o dólar perdeu 50% de seu valor e os juros foram aumentados para 60%.

Entre elas estão um novo imposto às exportações -de 4 pesos para cada dólar nos produtos primários e de 3 pesos para cada dólar no restante-, a redução pela metade do gabinete ministerial e um corte de 4% nos gastos da administração pública. O objetivo é adiantar o cronograma de redução do déficit fiscal para zero, previsto para 2020, já para o próximo ano.

Quem surgiu primeiro foi Macri, num vídeo pré-gravado de 20 minutos. O presidente apareceu com voz arfante e cara de tristeza, dizendo que este era "o pior momento de sua vida desde o sequestro" (o presidente foi sequestrado nos anos 1990 e ficou recluso por 12 dias enquanto se negociava seu resgate).

Com doses inéditas de dramatismo, seu discurso continuou: "sei o que vocês estão sentindo, porque eu estou sentindo a mesma coisa", e "muitos estão se perguntando como é possível que vínhamos bem, e agora não é mais assim?" Acrescentou que sabe que o imposto às exportações é "mau, muito mau" e que a recessão será mais longa e pronunciada do que se esperava.

Mas que o caminho que considera correto "não é linear, é necessário fazer os ajustes de modo mais rápido do que queríamos". Justificou o novo momento dizendo que a seca deste ano, a conjuntura internacional com a guerra comercial entre China e EUA e a corrupção herdada do governo anterior "levantou dúvidas entre os que nos emprestavam dinheiro para nos ajudar a atravessar este rio. Por isso agimos rápido e buscamos o FMI, que nos tem dado total respaldo". Finalizou dizendo que "a mensagem deve ser clara, não podemos gastar mais do que temos, porque isso nos leva a pedir mais dinheiro emprestado e termos mais inflação".

Autocrítica

Na sequência, o ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne, apresentou o novo imposto às exportações e o adiantamento do cronograma para reduzir o déficit fiscal para zero em 2020.

Também alegou que as dificuldades começaram com a mudança do cenário internacional, mas reconheceu que "nós também erramos, ao deixar um pouco de lado a preocupação com a política fiscal. Agora fomos pegos de surpresa pelo novo contexto internacional, que nos agarrou sem que tivéssemos ainda ajustado nossas contas internas".

O corte dos ministérios e a transformação de muitos deles em secretarias foram anunciados ao longo do dia. Dujovne e a equipe econômica viajaram, ainda ontem, para renegociar o acordo com o FMI, acertado em junho e que garantia ao país uma linha de crédito no valor de US$ 50 bilhões (R$ 206 bilhões).

A intenção é acelerar o envio das cotas desse empréstimo.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.