Em Gênova

Governo italiano decreta estado de emergência

Número de mortos subiu para 39, enquanto Roma ameaça revogar o contrato da empresa que administra rodovia

00:00 · 16.08.2018
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Escombros e blocos de concreto esmagaram 30 veículos depois do desabamento de estrutura da chamada ponte Morandi, que fica a 90 metros de altura ( FOTO: AFP )

Gênova. O governo italiano decretou, ontem, estado de emergência em Gênova e prometeu revogar o contrato com a empresa concessionária das rodovias, acusada de ter adiado os controles e a manutenção do polêmico viaduto que desabou na terça e causou a morte de 39 pessoas.

Apesar de as equipes de resgate estarem trabalhando sem descanso durante todo o dia entre os blocos de concreto do viaduto Morandi e dos restos dos veículos que caíram de uma altura de 50 metros, o balanço de mortos e feridos não mudou.

Entre os 39 mortos há três chilenos, residentes há décadas em Gênova e que viajavam no mesmo carro, um colombiano e um peruano. Famílias inteiras que atravessavam o viaduto, localizado em uma região urbana e que conecta com uma rodovia que vai até a França, faleceram no desabamento.

Luto

Ao fim de um conselho de ministros realizado de forma extraordinária em Gênova, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, decretou estado de emergência na cidade por 12 meses e concedeu um fundo de cinco milhões de euros.

Conte também decretou um dia de luto nacional e confirmou que o governo irá revogar o contrato de concessão das rodovias à empresa Autostrade, cuja família Benetton possui 30%. Horas antes, o governo havia exigido a demissão dos diretores da empresa responsável pela manutenção do viaduto. Tratam-se das primeiras medidas oficiais tomadas pelo governo populista um dia após o dramático acidente.

Cerca de 200 metros da chamada ponte Morandi, que tem 1.182 metros de comprimento e 90 metros de altura, desabaram e sepultaram sob os escombros e blocos de cimento 30 veículos.

Papa

O papa rezou, ontem, pelas vítimas da tragédia durante a Oração do Angelus pela celebração da Assunção e enviou uma mensagem de solidariedade.

Dos 16 feridos hospitalizados, 12 se encontram em estado grave e se fala de uma dezena de desaparecidos, entre eles uma família que ia passar férias na ilha de Elba, mais ao sul.

"Não chegaram ao hotel. Não atendem o telefone. Provavelmente estavam cruzando a ponte naquele momento", conta, angustiado, Antonio, um familiar.

Falta de manutenção

Mais de 600 pessoas foram obrigadas a deixar suas casas e 11 edifícios da área afetada foram evacuadas por medo de que outras partes do viaduto cedam.

Devido à comemoração de 15 de agosto, quando todo o país fica paralisado, o fluxo de veículos por essa rota era muito alto, já que também leva a zonas de praia e regiões de montanha.

"Não foi uma fatalidade", adiantou Francesco Cozzi, o promotor de Gênova, que abriu uma investigação judicial. Na Itália explodiram, ontem, as polêmicas por uma tragédia que muitos consideram que poderia ter sido evitada. "Os italianos têm o direito de viajar por estradas seguras", declarou Conte. Mais de 300 viadutos e túneis da península apresentam problemas por deficiência de seus materiais, excesso de uso e falta de manutenção.

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