'Europa não é vassala'

Governo da França quer medida contra sanções ao Irã

Líderes do continente tentam salvar o acordo com o país asiático; protestos contra Israel e EUA se multiplicam

Em Teerã, manifestantes protestam contra medidas restritivas de Donald Trump aos negócios iranianos com o mundo e os ataques do Exército israelense ( FOTO: AFP )
00:00 · 12.05.2018

Paris/Teerã. O governo francês disse na sexta-feira (11) que vai propor à União Europeia a criação de um mecanismo que proteja as empresas do bloco que decidam investir no Irã.

A declaração é uma resposta à decisão dos EUA de deixar o acordo nuclear com Teerã e de impor sanções não apenas ao país, mas também a companhias que façam negócios com ele, o que pode afetar diversos grupos franceses, como a petrolífera Total e as montadoras Peugeot e Renault.

O ministro das finanças francês, Bruno Le Maire, disse que os países europeus devem poder continuar fazendo negócios com o Irã e que os EUA não são "a polícia econômica do mundo".

"Queremos ser vassalos que obedecem a decisões dos EUA enquanto nos seguramos na barra de nossas calças? Ou queremos dizer que temos interesses econômicos e consideramos que devemos continuar a fazer comércio com o Irã?", disse ele.

Segundo as novas sanções impostas por Trump, empresas de outros países que fizerem negócios no Irã poderão ser alvos de punições e não terão acesso ao sistema bancário dos EUA.

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, começa neste sábado viagem diplomática para tentar salvar o acordo após a retirada dos EUA. Zarif visitará Pequim, Moscou e Bruxelas para falar sobre como salvar o pacto.

Manifestações

O acordo de 2015 estabeleceu o compromisso do Irã de abandonar as atividades nucleares em troca da retirada de parte das sanções internacionais contra sua economia. O Irã está em uma posição delicada. O país deseja demonstrar firmeza após a decisão de Trump e dos ataques israelenses, enquanto tenta obter o apoio europeu para a continuidade do acordo.

Mas os ultraconservadores iranianos se mobilizaram contra a possibilidade de fazer qualquer concessão aos europeus. E milhares de pessoas se manifestaram em Teerã contra a decisão de Trump de retirar seu país do acordo sobre o programa nuclear, queimando bandeiras americanas e gritando lemas anti-israelenses. "Os responsáveis não devem confiar na França nem no Reino Unido. Nunca abandonarão os EUA por nós", disse uma manifestante.

Os ataques israelenses reforçaram o temor de que o Irã convença o grupo Hezbollah, seu aliado, a lançar foguetes contra Israel a partir do sul do Líbano como represália. A Rússia, que mantém boas relações com Irã e Israel, tenta atuar como mediador para evitar um conflito aberto. O jornal israelense "Haaretz" alertou o governo hebreu. "Seria melhor não se deixar levar pela espiral de arrogância. Teerã poderia ativar sua arma pesada, o Hezbollah, e neste caso o conflito poderia assumir uma dimensão totalmente distinta".

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