Novo presidente

Governista vence eleição paraguaia

00:00 · 23.04.2018
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Conhecido como "Marito", Mario Abdo Benítez defendeu a continuidade das políticas econômicas de Cartes ( Foto: AFP )

Assunção. O ex-senador Mario Abdo Benítez, de 46 anos, do Partido Colorado (direita), venceu, ontem, as eleições presidenciais do Paraguai.

Durante a campanha, ele propôs o serviço militar obrigatório para filhos de mães solteiras como forma de diminuir a insegurança e o consumo de drogas e se colocou contra a legalização do aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em um país com 96% da população cristã.

Homônimo de seu pai, braço direito do ditador Alfredo Stroessner (1912-2006), Abdo Benítez tinha 46,5% dos votos com 97% das urnas apuradas, no final da noite de ontem, contra 42,7% de Efraín Alegre, do Partido Liberal (centro), que fez aliança com a Frente Guasú (esquerda), do ex-presidente Fernando Lugo.

Com a vitória, os colorados manterão a hegemonia no país -a sigla só ficou de fora do poder em cinco dos últimos 70 anos.

Após o fechamento das seções eleitorais, centenas de pessoas vestidas de vermelho se concentraram na rua da sede do Partido Colorado, diante de um palanque animado por música.

A Justiça eleitoral avaliou a participação de eleitores em 65% de um total de 4.241.000 habilitados a votar de uma população de 7 milhões de habitantes. Abdo Benítez sucederá em agosto o presidente Horacio Cartes, um empresário da indústria do tabaco que, nestas eleições, candidatou-se ao Senado.

Hegemonia colorada

O Paraguai, que saiu de uma ditadura de 35 anos em 1989, viveu sob a hegemonia do Partido Colorado durante os últimos 70 anos, com a única exceção do governo do ex-bispo e ex-presidente de esquerda Fernando Lugo (2008-2012), que foi destituído em um julgamento político um ano antes de concluir seu mandato. Benítez era o favorito das pesquisas de opinião e também apareceu em primeiro lugar na pesquisa de boca de urna.

"Ganhei credenciais democráticas em minha trajetória política", declarou Abdo Benítez ao rejeitar, ontem, as críticas que recebe devido à proximidade de sua família com Stroessner.

Embora se distancie da ditadura lembrando que à época da derrocada de Stroessner tinha apenas 16 anos, em 2006 ele foi ao funeral do ex-ditador, que se exilou em Brasília.

"Marito", como é conhecido popularmente, estudou administração nos EUA. Seu programa propõe manter a política econômica do presidente Horacio Cartes, baseada nas exportações agrícolas, que permitiu ao Paraguai crescer a um ritmo de 4% por ano por mais de uma década. Também pretende realizar uma reforma do Poder Judiciário, que considera corrupto.

O Paraguai está em 135º lugar entre 180 países em um ranking de corrupção elaborado pela organização Transparência Internacional. Um país rico em hidroeletricidade, mas sem saída para o mar, não consegue também reduzir seu índice de pobreza na mesma velocidade em que sua economia cresce.

A pobreza afeta 26,4% da população e a informalidade atinge 40% da economia, segundo os especialistas. "O número de pobres está ligado ao fato de que não há emprego. Só 3% das empresas no Paraguai são grandes empresas. A informalidade faz com que o índice de pobreza seja alto", diz Gladys Benegas, diretora do Instituto de Pesquisas em Competitividade do Paraguai.

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