Com Tragédia na Itália

Funerais terão marca da revolta

Parentes e amigos velam os corpos das vítimas do desabamento da ponte Morandi, em Gênova ( FOTO: AFP )
00:00 · 18.08.2018

Gênova. A Itália se prepara para enterrar os mortos da tragédia de Gênova, em meio a uma crescente polêmica e ao mesmo tempo que prosseguem as buscas por desaparecidos sob os escombros da ponte que desabou na última quarta-feira (15).

Os funerais solenes estão programados para sábado no centro de exposições de Gênova, com uma missa celebrada pelo arcebispo de Milão na presença de autoridades da Itália, incluindo o presidente Sergio Mattarella.

A cerimônia pode ser incômoda para as instituições italianas: o jornal "La Stampa" afirma que as famílias de 17 das 38 vítimas fatais preferem não participar, e sete famílias ainda não tomaram uma decisão.

"O Estado provocou isto, que não mostrem suas caras. O desfile de políticos é vergonhoso", reagiu Nunzia, mãe de um jovem que faleceu na tragédia. "Meu filho não vai virar um número no catálogo de mortes provocadas pelas falhas italianas", escreveu em uma rede social Roberto, pais de outra vítima.

"Não queremos uma farsa de funeral, e sim uma cerimônia em casa, em nossa igreja, na Torre de Greco", completou.

Ao mesmo tempo, as equipes de resgate ainda procuram entre 10 e 20 desaparecidos que poderiam estar no viaduto no momento da tragédia. O balanço oficial continua o mesmo: 38 mortos e 15 feridos. "As buscas prosseguem, com a demolição e retirada de grandes blocos do viaduto desabado, para encontrar os desaparecidos", informou o corpo de bombeiros.

Quase mil pessoas trabalham no local da tragédia, incluindo 350 bombeiros.

Polêmica

A grande controvérsia entre o governo italiano e a concessionária que administra a rodovia, a Autostrade per l'Italia, ocupa as manchetes da imprensa e não dá trégua com várias críticas.

O governo anunciou a intenção de revogar o contrato de concessão da empresa no trecho que fica a ponte que desabou.

"Você não pode morrer depois de pagar um pedágio na Itália", declarou o vice-premier Luigi Di Maio, ministro do Desenvolvimento Econômico e líder do Movimento 5 Estrelas (M5S).

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