Reféns liberados

Farc anunciam fim de sequestros

01:17 · 27.02.2012
( )
O presidente colombiano advertiu, pelo Twitter, que a renúncia das Farc aos sequestros não é suficiente na direção correta
O presidente colombiano advertiu, pelo Twitter, que a renúncia das Farc aos sequestros não é suficiente na direção correta ( FOTO: REUTERS )
As Farc aceitam a oferta feita pelo governo brasileiro de apoio logístico à libertação dos últimos reféns

Bogotá A guerrilha colombiana das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciou, ontem, que vai libertar dez reféns, quatro a mais do que havia prometido em dezembro, ao mesmo tempo em que declarou que vai renunciar à prática do sequestro de civis, conforme um comunicado publicado em sua página na Internet. "Queremos comunicar nossa decisão de realizar a anunciada liberação de seis prisioneiros de guerra, além dos quatro restantes em nosso poder", afirmou o comunicado, subscrito pelo Secretariado de Estado - o centro de poder da organização - das Farc.

Os dirigentes do grupo guerrilheiro, o mais importante e antigo do país, com mais de 47 anos de exigência e 9.000 combatentes, também anunciaram a renúncia ao sequestro de civis como mecanismo para financiar economicamente suas atividades. "Muito já se falou sobre as detenções de pessoas, homens ou mulheres da população civil, que realizamos com fins de sustentar nossa luta (...) Anunciamos também que a partir desta data proscrevemos a prática em nossa atuação revolucionária", apontou o Secretariado de Estado no texto oficial.

Os reféns a serem libertados são os militares Luis Alfonso Beltrán Franco, Luis Arturo Arcía, Robinson Salcedo Guarín e Luis Alfredo Moreno Chagüeza, e os policiais Carlos José Duarte, César Augusto Lasso Monsalve, Jorge Trujillo Solarte, Jorge Humberto Romero, José Libardo Forero e Wilson Rojas Medina.

No comunicado, as Farc aceitaram também que o governo brasileiro facilite a logística para a liberação dos dez reféns, como já feito em ocasiões anteriores. Em fins de dezembro passado, as Farc anunciaram a intenção de deixar em liberdade seis de um grupo de dez reféns mantidos em cativeiro há mais de 12 anos. No entanto, essa entrega foi postergada, segundo as Farc, porque a área aonde os reféns seriam liberados estava militarizada. Afirmaram, também, que ainda estavam à espera de que o governo aceitasse a participação de um país estrangeiro para fornecer a logística necessária.

Há duas semanas o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, anunciou que o Brasil foi autorizado a colaborar com a liberação dos reféns. No último dia 16, o governo brasileiro confirmou sua vontade de colaborar com a operação.

O fim do sequestro como arma política era uma das antigas reivindicações da ONG Colombianos e Colombianas pela Paz (CCP), liderada pela ex-congressista Piedad Córdoba. Há três anos, Piedad e a CCP mantêm negociações com as Farc, que já permitiram a libertação de maneira unilateral de 20 rebeldes.

Juan Manuel Santos avaliou, ontem, como positivo o anúncio da guerrilha das Farc de renunciar ao sequestro de civis, mas advertiu que não é suficiente, segundo uma mensagem em sua conta do Twitter. "Consideramos o anúncio das Farc de renunciar ao sequestro como um passo importante e necessário, mas não é suficiente na direção correta", ressalta a mensagem presidencial em resposta a um comunicado divulgado no site.

O presidente colombiano manifestou sua alegria pelos reféns e por suas famílias, e garantiu que o governo dará as garantias necessárias para a libertação "sem circo midiático". "Estamos muito felizes por eles e pelos dez sequestrados que vão libertar e por suas famílias. O governo dará garantias sem circo midiático", indicou no Twitter.

Há anos as Farc vinham propondo a libertação de vários membros das forças de segurança que mantinham em seu poder em troca de pelo menos 500 rebeldes presos em penitenciárias do país e dos Estados Unidos.

Santos, que atingiu duramente as Farc, inicialmente como ministro da Defesa e desde agosto de 2010 como presidente da Colômbia, ressaltou que está disposto a realizar uma negociação de paz, sempre que o grupo guerrilheiro der gestos claros, como o fim dos sequestros e do recrutamento de menores de idade.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.