Armas Químicas

Falta segurança a inspetores na Síria

Em ruínas após bombardeios até a rendição dos rebeldes que lutaram contra o regime, Duma se tornou cenário de suposto ataque químico em 7 de abril ( Foto: AFP )
00:00 · 19.04.2018

Haia. O diretor da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), sediada em Haia (Holanda), condicionou, ontem, o deslocamento de especialistas na cidade síria de Duma, onde ocorreu um suposto ataque químico, a um acesso "sem entraves". "Neste momento, não sabemos quando vai acontecer a ida (da missão de investigação) para Duma", indicou Ahmet Uzumcu, em um comunicado.

Uma equipe de segurança da ONU foi alvo de disparos na terça-feira nesta cidade. "É claro que esse deslocamento só vai acontecer se a nossa equipe puder contar com um acesso sem entraves", advertiu Uzumcu.

Os especialistas da Opaq aguardam o aval de uma equipe de avaliação de segurança da ONU antes de começar as investigações, informou o embaixador sírio nas Nações Unidas, Bashar Jaafari. "Se essa equipe de segurança das Nações Unidas decidir que a situação é segura em Duma, a missão de investigação começará seu trabalho amanhã (hoje, dia 19)", declarou Jaafari ao Conselho de Segurança.

Dez dias após o suposto ataque, os especialistas da Opaq chegaram a Duma, onde mais de 40 pessoas teriam morrido sob efeito de gases tóxicos em 7 de abril. Nessa data, a cidade ainda estava nas mãos dos rebeldes.

Em 14 de abril, EUA, França e Reino Unido lançaram ataques à Síria, em represália ao governo, o qual acusam de estar por trás da ofensiva de uma semana antes. O governo Bashar al-Assad e a Rússia negaram qualquer envolvimento, acusando os rebeldes de "encenação", e reivindicaram uma missão da OPAQ para investigar essas "alegações".

Justiça belga

Já três empresas belgas devem comparecer em maio à justiça do país por "declaração falsa", pois não informaram as autoridades sobre a exportação para a Síria de um produto químico que pode ser usado para produzir o gás sarin. O produto é o isopropanol. O regime sírio o teria utilizado durante o conflito na Síria.

Alertada pela Alfândega, a justiça belga suspeita que as três empresas do setor químico e de transportes não cumpriram com suas obrigações ao não declarar que exportavam este produto para Síria e Líbano.

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