Nicarágua

Ex-militar diz que Ortega quer conflito armado

00:00 · 05.06.2018 / atualizado às 00:11

Manágua. Os protestos antigovernamentais na Nicarágua a princípio pareciam inofensivos: com pessoas idosas marchando contra uma reforma previdenciária que carcomia seus ganhos. Por que então a brutal repressão que já deixou mais de 100 mortos e provocou veementes chamados para que o presidente Daniel Ortega renuncie?

"Enquanto o protesto for cívico e o povo não estiver armado, ou se armando, o Exército não vai intervir em primeiro lugar. Mas, em segundo lugar, não dará o pretexto que Daniel Ortega quer de enfrentar uma rebelião armada. Deve ficar claro que Ortega durante toda a vida foi um indivíduo belicoso", analisa o crítico de Ortega, o comandante reformado Roberto Samcam.

Ele lutou junto com Ortega na guerrilha Sandinista que, em 1979, derrubou o ditador Anastasio Somoza e depois, serviu em seu Exército na guerra com os rebeldes da Contra, financiado pelos EUA. Depois deixou as armas, co-fundou o Grupo Patriótico de Soldados Reformados e atualmente é um aberto crítico de Ortega. Para o comandante reformado, Ortega tem interesse na atuação de grupos armados no conflito.

Desde que começaram os protestos, em abril, pelo menos 110 pessoas morreram, segundo o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh). A Anistia Internacional (AI) denunciou que as autoridades nicaraguenses usam grupos paramilitares para reprimir os manifestantes. O presidente Ortega negou que tanto a polícia quanto o exército tenham disparado contra civis.

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