Rússia no epicentro

Ex-assessores pressionam Trump

Ex-chefe de campanha de 2016 e ex-advogado pessoal podem implicar presidente em denúncia de conluio com Moscou

00:00 · 23.08.2018
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Paul Manafort(d),ex chefe da campanha de Donald Trump, e Michael Cohen(e),ex advogado pessoal do republicano,estão expondo os bastidores da eleição de 2016, dando munição ao procurador responsável pela investigação do caso ( FOTOS: AFP )

Washington. A condenação do ex-chefe de campanha do presidente Donald Trump e a declaração de culpa de seu ex-advogado pessoal na terça-feira (21) aliviaram o procurador especial Robert Mueller, cada vez mais pressionado politicamente para terminar a sua investigação sobre a suposta ingerência russa na campanha eleitoral de 2016, que já dura 15 meses.

Os casos de Paul Manafort e Michael Cohen não vão acabar com as críticas de Trump à investigação de Mueller, que ele chama de "caça às bruxas", em um esforço furioso destinado a enterrar qualquer tentativa de levá-lo à Justiça. Mas os especialistas dizem que cada vitória conta para o procurador especial, que graças ao seu crescente histórico de êxitos aumenta a chance de assegurar a cooperação de futuros depoimentos, com a aproximação das cruciais eleições legislativas, marcadas para novembro.

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, disse que, em sua opinião, o presidente "não está nada preocupado". "Sabemos que não fez nada de errado e que não houve conluio com os russos", acrescentou.

Crimes

Mueller tem uma difícil batalha para provar as acusações de que houve conluio entre a campanha de Trump e a Rússia durante as eleições de 2016, e que o presidente tentou dificultar a sua investigação. No caso de Manafort, o primeiro que a equipe de Mueller levou a julgamento, o júri considerou o ex-chefe de campanha de Trump culpado de acusações de evasão fiscal, fraude bancária e omissão de declaração de renda no exterior. Embora a evidência seja sólida, o caso se centrou nas transações de Manafort separadas da campanha de 2016 e não diretamente relacionadas com a Rússia.

O caso de Cohen tampouco tinha um ângulo de conluio com os russos. Cohen se declarou culpado de fraude bancária e fiscal em seu negócio pessoal, e de violações de financiamento de campanha relacionado com pagamentos ocultos a duas supostas ex-amantes de Trump. Nessa última acusação, envolveu o presidente em um crime, declarando que o próprio Trump ordenou os pagamentos para influenciar o resultado das eleições.

Trump alegou que os pagamentos feitos pelo ex-advogado a duas supostas ex-amantes para comprar o silêncio delas durante a campanha eleitoral "não são uma violação" das leis eleitorais.

Impeachment

Diante das crescentes suspeitas envolvendo assessores diretos seus, o risco de Trump sofrer um impeachment no Congresso é hoje maior do que o de uma condenação na Suprema Corte por obstrução da Justiça, conspiração com os russos ou crimes financeiros, afirmam especialistas.

"Cohen e Manafort podem ter informações que prejudiquem diretamente o presidente", disse Keith Whittington, professor da Universidade de Princeton.

"Caso os democratas consigam maioria em ao menos uma das Casas, hoje com maioria republicana, as chances de um impedimento seriam maiores", afirmou Matthew Dallek, professor associado da Universidade George Washington.

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