Em meio a protestos

EUA inauguram embaixada em Jerusalém; 59 morrem

Israel disparou contra manifestantes em Gaza; governo palestino acusa 'massacre', e ONGs citam 'crimes de guerra'

Filha de Donald Trump, Ivanka, participou da abertura da sede diplomática do governo norte-americano em Jerusalém; a dezenas de quilômetros, na Faixa de Gaza, disparos israelenses feriram e mataram palestinos que protestavam ( Foto: AFP )
00:00 · 15.05.2018 / atualizado às 08:06

Jerusalém/Gaza. Os militares israelenses mataram, ontem, 59 palestinos e feriram mais de 2.700 pessoas, na fronteira com a Faixa de Gaza, onde reprimiram manifestações contra a inauguração da embaixada dos EUA em Jerusalém, uma das promessas mais polêmicas do presidente Donald Trump. Este foi o dia mais violento do conflito israelense-palestino desde a guerra de 2014 na Faixa de Gaza. Os EUA bloquearam a adoção de um comunicado do Conselho de Segurança da ONU para pedir uma investigação independente sobre os confrontos sangrentos.

O governo palestino denunciou "um massacre", enquanto o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, da extrema direita, defendeu o uso da força porque "todo país tem a obrigação de defender seu território" e culpou o movimento palestino Hamas pelas mortes. A violência preocupa a comunidade internacional em um contexto de fortes tensões e incertezas regionais.

Enquanto americanos e israelenses celebravam um momento "histórico" e a fortaleza de sua aliança sob um grande toldo branco colocado no terreno da nova embaixada em Jerusalém, milhares de palestinos protestavam a cerca de 65 km de distância, na Faixa de Gaza bloqueada. Jerusalém se encheu de bandeiras israelense e americana, e de cartazes que diziam "Trump torna Israel grande de novo".

As ONGs Anistia Internacional e Human Rights Watch criticaram o governo de Israel e denunciaram uma "abominável violação" dos direitos humanos e "crimes de guerra". Já o presidente francês, Emmanuel Macron, condenou "a violência das forças armadas" de Israel contra os palestinos. Turquia e África do Sul convocaram seus embaixadores em Israel para consultas. "Israel é um Estado terrorista", definiu o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. Por enquanto, somente Guatemala e Paraguai se comprometeram a imitar os EUA e transferir embaixadas para a Cidade Santa.

O Brasil mantém relações diplomáticas com Israel desde 1949 e em 2010 reconheceu o Estado da Palestina.

Crise diplomática

De quem é Jerusalém?

A cidade está sob controle de Israel desde a Guerra dos Seis Dias (1967), mas na prática é dividida entre lado ocidental, que tem maioria judaica e abriga o Parlamento israelense, e oriental, de maioria árabe, reivindicado pelos palestinos (a Autoridade Nacional Palestina está em Ramallah, Cisjordânia)

Qual é a reivindicação?

Israel diz que Jerusalém é sua capital única e indivisível, recorrendo a episódios históricos; os palestinos pleiteiam que Jerusalém Oriental seja a capital de seu futuro Estado, também alegando razões históricas

Como se posiciona a ONU?

As Nações Unidas (ONU) determinou, em 1947, que Jerusalém fosse uma cidade com regime internacional, sem controle exclusivo de judeus, árabes ou cristãos

O que os EUA fizeram?

O país reconheceu, em dezembro, Jerusalém como a capital de Israel e mudou a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, inaugurada ontem

Como fica o processo de paz?

Washington passa a ser visto como ator parcial, favorável aos israelenses, o que dificulta que os palestinos aceitem sua mediação

E o pleito palestino?

A reivindicação sobre Jerusalém Oriental como capital de um Estado palestino pode ser mantida, mas há risco de a decisão dos EUA inflamar os muçulmanos na região e provocar nova onda de violência

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