Distensão nuclear

EUA: encontro entre Kim Jong-un e Xi Jinping é 'passo histórico'

Visita de norte-coreano à China é considerada pela Casa Branca como sinal positivo à reunião com Trump em maio

Em sua 1ª viagem ao exterior desde que assumiu o poder em 2011 , Kim Jong-un (e) encontra Xi Jinping (d), líder de seu principal parceiro comercial ( Foto: KCNA )
00:00 · 29.03.2018

Washington/Pyongyang. Os EUA consideraram um "passo histórico na direção correta" a visita do líder norte-coreano, Kim Jong-un, a Pequim, onde se reuniu com o presidente chinês Xi Jinping. "A visita também evidencia que a campanha de máxima pressão do presidente dos EUA está funcionando", avaliou a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert.

Donald Trump expressou otimismo. "Ao longo de muitos anos, foram várias as administrações que disseram que a paz e a desnuclearização da península coreana não eram sequer uma pequena hipótese. Agora, há uma boa possibilidade de Kim Jong-un fazer o que é certo para o seu povo e para a humanidade. Aguardo a nossa reunião", tuitou, em alusão à exigência de abandono do programa nuclear.

A visita de Kim a Xi selou o reencontro entre China e Coreia do Norte. Foi a primeira viagem oficial de Kim ao exterior desde que chegou ao poder em 2011.

Pequim e Pyongyang são aliados desde quando combateram juntos na guerra da Coreia (1950-1953). A China sustenta a economia norte-coreana.

Mas o líder norte-coreano ainda não tinha se reunido com o chinês desde que sucedeu a seu pai Kim Jong-il há seis anos. As relações bilaterais ficaram tensas nos últimos anos por causa do apoio crescente de Pequim às sanções econômicas da ONU destinadas a conter as ambições nucleares de Pyongyang. A chegada do jovem líder a Pequim aconteceu semanas antes de dois encontros cruciais: um, com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in (final de abril); e o outro, com Trump (maio, ainda sem data exata e local definidos).

Proteção

Então, por que uma visita de Kim agora? Para Deng Yuwen, especialista chinês em Relações Internacionais, o jovem líder conta com Pequim para garantir a segurança de seu regime antes de seu encontro com Trump. "A Coreia do Norte precisa de seu irmão chinês para protegê-lo nesse momento crucial", disse Deng.

"Kim busca, talvez, um relaxamento das sanções e também um apoio da China para obter garantias dos EUA em matéria de segurança", disse Bonnie Glaser, do Center for Strategic and International Studies (CSIS).

Trump acaba de nomear um "falcão" com fama de beligerante, John Bolton, como conselheiro de Segurança Nacional. Uma nomeação que avivou o temor de uma intervenção militar, se as negociações fracassarem. Kim "precisará da compreensão e do apoio da China", se esses diálogos fracassarem, afirma o analista político Hua Po.

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