Escândalo eleitoral

EUA e Europa apuram se Facebook ajudou Trump

Empresa ligada ao Partido Republicano acessou 50 milhões de perfis da rede social e influenciou eleitores

Mark Zuckerberg, dono do Facebook, é pressionado a explicar no Congresso as suspeitas de venda de dados dos usuários para empresa de marketing ( FOTO: AFP )
00:00 · 20.03.2018

Washington. O Facebook está no centro de um escândalo que poderia ameaçar até mesmo seu modelo comercial, após ser revelado que uma empresa britânica ligada à campanha de Donald Trump usou dados pessoais de milhões de usuários.

A notícia de que a empresa britânica Cambridge Analytica (CA), especializada em comunicação estratégica, tinha usado dados de 50 milhões de usuários do Facebook para desenvolver um software que prevê e influencia eleitores gerou protestos dos dois lados do Atlântico.

A conta da CA no Facebook foi suspensa, anunciou a rede social. Facebook, mas também Twitter e Google, são acusadas há meses de servir como plataformas para manipular a opinião pública, particularmente por entidades vinculadas à Rússia durante a campanha presidencial americana, ou o referendo do Brexit em 2016. "Esta é uma grande violação (de dados) que precisa ser investigada, e é óbvio que essas plataformas não podem se autorregular", disse a senadora democrata Amy Klobuchar, que integra um grupo que acredita que Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, deve ir ao Congresso explicar o ocorrido. No Reino Unido, o parlamentar Damian Collins, presidente da comissão que trata de assuntos digitais, também disse que Facebook e CA terão que se explicar.

A comissária europeia de Justiça, Consumidores e Igualdade de Gênero, Vera Jourova, disse que o uso indevido dos dados do Facebook por parte de uma empresa política seria "horrível", e anunciou que tratará do tema nesta semana em Washington.

Perfis psicológicos

A investigação conjunta do "The New York Times" e do "The Observer" indicou que a CA conseguiu criar perfis psicológicos de 50 milhões de usuários do Facebook usando um aplicativo de previsão de personalidade que foi baixado por 270.000 pessoas, mas também coletou dados de amigos da usuários.

A CA negou o uso indevido de dados. O Facebook suspendeu a conta da empresa na sexta, mas negou que fosse uma grande violação de dados, sugerindo que o problema afetaria um número muito menor de usuários.

Ontem, as ações do Facebook desabaram 6,7% em Wall Street. Diante da crise, o Facebook contratou uma empresa para realizar uma auditoria.

A CA foi financiada com US$ 15 milhões por Robert Mercer, um empresário americano que fez sua fortuna em "fundos abutre" e é um dos principais doadores do Partido Republicano.

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