Critica chanceler brasileiro

'EUA devolvem crianças aos pais a conta-gotas'

Ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, considerou uma 'medida cruel' separar famílias de imigrantes

00:00 · 14.07.2018
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O chefe da diplomacia do Brasil atribuiu à desorganização do governo americano a demora em liberar os menores separados de seus parentes ( Foto: Ag. France Presse )

São Paulo/Nova York. O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, avalia que os Estados Unidos estão fazendo a reversão da política de separação de crianças de seus pais que tentaram imigrar ilegalmente no país em ritmo muito lento. As informações são da Agência Brasil. "É algo que está ocorrendo a conta-gotas", criticou na sexta-feira (13), após reunião na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

De acordo com o ministro, que esteve em Chicago no dia 5, para se reunir com representantes dos diversos postos do Itamaraty nos países da América do Norte e tratar do tema da separação de crianças brasileiras de suas famílias, há um problema de organização dos norte-americanos. Os adultos estão sendo submetidos a departamentos da administração diferente de seus filhos e, com isso, as autoridades não têm conhecimento da ligação de parentesco entre eles.

Em sua visita, o ministro disse que conversou com 28 crianças brasileiras em dois abrigos de Chicago e que, durante a sua estada, notou uma variação do número de crianças. "Num dia havia no abrigo 21 crianças. No dia seguinte, eram 20", disse.

Aloysio Nunes ouviu dos menores sobre o desejo de continuar no país estrangeiro.

"Elas (crianças) estão muito firmes, querem ficar nos Estados Unidos. Elas estão muito a par de todos os procedimentos a que estão submetidas, e a que os seus pais também estão submetidos. Muitas estão em busca de uma família que possa acolhê-las, no caso de os pais serem deportados. Algumas crianças muitos pequenas não têm a menor noção do que está acontecendo, aí o trauma é maior", disse.

O ministro reforçou a crueldade da política de separação norte-americana. "Consideramos que é uma medida cruel. As crianças submetidas a essa separação recebem um trauma que pode marcá-las para o resto da vida", disse. Aloysio Nunes orienta os brasileiros a não tentar entrar ilegalmente nos Estados Unidos, e pediu senso de responsabilidade aos pais.

Missão

Uma nova missão chefiada pelo ministro dos Direitos Humanos, Gustavo Rocha, embarca neste sábado (14) para os Estados Unidos em missão sobre direitos humanos e migrações. O principal ponto da pauta é a questão das crianças brasileiras separadas dos pais durante entrada irregular no país.

Além do ministro, também integram a missão representantes da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Eles vão passar por Nova York, Washington e Boston e até o dia 20 tem reuniões em órgãos multilaterais e organizações da sociedade civil com atuação voltada par a proteção de migrantes.

Visitas

Os integrantes do governo brasileiro ainda irão visitar abrigos de imigrantes para avaliar a situação da recepção de brasileiros nesses locais, o Espaço da Mulher Brasileira, em Boston, e a Universidade de Harvard.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o ministro Gustavo Rocha disse que está determinado a garantir que famílias se reúnam de forma definitiva.

"A gente tem de respeitar as leis dos países. A gente entende que cada país tenha sua legislação específica. Mas não podemos aceitar que essa legislação venha a violar os direitos humanos básicos, como o de reunião de famílias. Nossa preocupação é garantir que os direitos humanos sejam assegurados de forma plena", disse.

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