Rompimento polêmico

Estados Unidos e Israel se retiram da Unesco

A saída de Washington será efetivada em 31 de dezembro de 2018, segundo as normas constitutivas do órgão

00:00 · 13.10.2017 / atualizado às 08:27
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Países anunciaram decisão de retirar-se do organismo multilateral, acusando-o de ser anti-israelense, o que provocou críticas na Instituição ( Foto: AG. France Presse )

Paris/Washington. Os Estados Unidos e Israel anunciaram, ontem, a sua decisão de retirar-se da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), acusando-a de ser anti-israelense, o que provocou críticas na instituição.

Após vários anos de tensões com esta agência da ONU com sede em Paris e atualmente em processo de eleição de um novo diretor-geral, a porta-voz do Departamento de Estado americano, Heather Nauert anunciou que Washington prevê deixar a organização. "Essa decisão não foi tomada rapidamente e reflete a preocupação dos Estados Unidos com os crescentes atrasos nos pagamentos (das contribuições) à Unesco, a necessidade de uma reforma fundamental na organização e o contínuo preconceito contra Israel", disse.

A saída dos EUA será efetivada em 31 de dezembro de 2018, de acordo com as normas constitutivas da Unesco, completa o texto. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, continuará trabalhando com o governo Trump apesar das diferenças, disse o porta-voz da ONU Farhan Haq ontem. Guterres "lamenta profundamente" a decisão, mas "ao mesmo tempo, é claro, interagimos com os Estados Unidos de forma muito produtiva em uma série de questões através de uma série de organizações e continuaremos a fazer isso", acrescentou o porta-voz, que pareceu minimizar a saída.

"Há momentos em que pode haver diferenças nessa ou naquela questão, mas o secretário-geral trabalha bem com o governo dos EUA", disse Haq.

Pouco depois de Washington, Israel indicou que também vai abandonar a instituição, que qualificou de "teatro do absurdo, onde se deforma a história, em vez de preservá-la".

"Entramos em uma nova era das Nações Unidas: a que, quando se discriminar Israel, terá que assumir as consequências", afirmou o embaixador israelense na ONU, Danny Danon.

No início de julho, os Estados Unidos haviam advertido que analisavam seus vínculos com a Unesco, chamando de "uma afronta à história" a sua decisão de declarar a antiga cidade de Hebron, na Cisjordânia ocupada, uma "zona protegida" do patrimônio mundial.

Na ocasião, a embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Nikki Haley, afirmou que esta iniciativa "desacreditava ainda mais uma agência da ONU já altamente discutível".

Multilateralismo

Os Estados Unidos já deixaram a Unesco entre 1984 e 2003 e suspenderam sua contribuição financeira em 2011, após a admissão da Palestina como um Estado-membro. A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, afirmou também ontem "lamentar profundamente" a decisão. "Lamento profundamente a decisão dos Estados Unidos, cuja notificação oficial foi enviada pelo secretário de Estado Rex Tillerson", escreveu em um comunicado.

 

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