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Entidades falam em 'fim da democracia'

00:00 · 22.07.2016

São Paulo. O estado de emergência na Turquia, anunciado pelo presidente Recep Tayyip Erdogan na última quarta-feira (20) e ratificado pelo parlamento ontem, é "o fim declarado da democracia" no país, afirma Mustafa Göktepe, presidente do Centro Cultural Brasil-Turquia.

>Parlamento aprova Estado de Emergência

"O estado de emergência é o fim declarado da democracia. Faltam poucas coisas, o fim das negociações com a União Europeia, e aliança com a OTAN (aliança militar ocidental). Se for assim, a Turquia realmente vai ser um país isoladíssimo, em que Erdogan e seus simpatizantes vivem em paz, o resto vive um exílio, como numa prisão ao ar livre", disse ontem Göktepe, em entrevista coletiva, em São Paulo. O centro se apresenta como entidade inspirada no movimento Hizmet, criado por Fethullah Gülen, quem o governo turco acusa de responsável pela tentativa de golpe da sexta-feira passada (15).

Göktepe manifestou preocupação com o que vê como perseguição a todos que discordam das políticas de Erdogan.

Ele citou o caso de uma cidade onde um prefeito se recusou a ceder túmulos para quem fosse alinhado ao movimento.

O jornalista Kamil Ergin, editor do site "Voz da Turquia", fez outros relatos de perseguição que recebeu de seu país, após a tentativa de golpe: pichações e invasões em prédios de simpatizantes do Hizmet, destruição de uma escola, uma placa colocada na praça Taskim gritando slogan contra os "cachorros de satã".

Ele destacou ainda o receio com a situação dos parentes e simpatizantes. Ergin também se disse preocupado com a liberdade de imprensa. Segundo ele, não há hoje um veículo crítico em atividade. O jornalista disse ainda que foi estabelecida uma linha telefônica que oferece recompensa para quem informar sobre membros do movimento.

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