Contra áfrica e américa central

Donald Trump tenta negar fala racista e xenófoba

Presidente americano levantou uma onda de indignação global, acusado de estimular discursos intolerantes

Líder estadunidense, eleito com uma plataforma hostil aos imigrantes, foi alvo, na sexta, de diversas manifestações de repúdio por mais uma fala polêmica ( Foto: AFP )
00:00 · 13.01.2018

Washington/Nova York. Donald Trump tentou, na sexta (12), se descolar do escândalo provocado por sua menção a "países de merda", em uma referência a Haiti, El Salvador e a nações africanas, declaração que um funcionário da ONU denunciou como "racista".

Na manhã de sexta, Trump recorreu a sua arma favorita - o Twitter- para se defender e negar a declaração. Rapidamente foi desmentido por um senador democrata presente na reunião e que confirmou a versão.

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Em uma primeira mensagem, Trump admitiu que foram ditas coisas "duras" em uma reunião na Casa Branca pra discutir imigração, mas garantiu que "essa não foi a linguagem usada".

Uma hora mais tarde, Trump voltou ao tema no Twitter para assegurar que nunca disse "qualquer coisa depreciativa sobre os haitianos, além de dizer que o Haiti é, obviamente, um país muito pobre e com muitos problemas". Pouco depois, porém, o senador democrata Dick Durbin disse que Trump de fato se referiu a "países de merda" e que fez isso mais de uma vez.

"Ele disse essas coisas cheias de ódio, e as disse repetidamente. Deu essas declarações vis e vulgares, chamando essas nações de países de merda", lamentou Durbin. Fontes disseram que Trump se referia a nações africanas, ao Haiti e a El Salvador.

"Por que todas essas pessoas de países de merda vêm aqui?", teria dito Trump, acrescentando que queria imigrantes de países nórdicos, como a Noruega.

Em poucas horas, o escândalo se tornou internacional, com uma forte onda de indignação com as declarações do americano. Em Genebra, o porta-voz do alto comissário para Direitos Humanos da ONU, Rupert Colville, classificou as palavras de Trump como vergonhosas. Para Colville, a visão manifesta em suas declarações mostram "o pior lado da humanidade.

Em Porto Príncipe, o governo do Haiti considerou, em nota, "inaceitáveis" as declarações "odiosas e abjetas" de Trump.

O governo de El Salvador também protestou. "El Salvador exige respeito à dignidade de seu nobre e corajoso povo", disse o presidente Salvador Sánchez Cerén, ao ler um comunicado durante um ato público.

Persona non grata

Em Londres, o prefeito Sadiq Khan celebrou a decisão de Trump de cancelar uma visita à cidade, porque "não é bem-vindo" lá. O convite feito por Trump aos noruegueses, para que se mudem para os EUA no lugar de cidadãos de "países de merda", irritou os habitantes do país.

"Sou um norueguês que apreciou estudar e trabalhar nos EUA. A única coisa que me levaria a emigrar para os EUA é sua animada sociedade multicultural. Não acabem com ela", declarou Jan Egeland, ex-secretário-geral adjunto das Nações Unidas, Egeland dirige o Conselho Norueguês para os Refugiados.

"Como norueguês, por que mudaria cuidados médicos (incluindo de saúde mental) muito acessíveis, um Ensino Superior muito acessível, 49 semanas de licença parental (combinadas entre o pai e a mãe) e pelo menos 25 dias de férias, por um louco com um grande botão (nuclear) que quer me privar dos meus direitos?", tuitou um usuário.

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