Afirma Mike Pompeo

Desnuclearização da CN deve ocorrer até 2020

Secretário de Estado americano expressou otimismo ao prever prazo para Pyongyang abandonar seu arsenal

00:00 · 14.06.2018
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Chefe da diplomacia de Washington confirmou que as reuniões técnicas entre os dois países devem começar na próxima semana ( FOTO: AGÊNCIA FRANCE PRESSE )

Washington/Moscou. O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, afirmou, ontem, esperar que as negociações dos Estados Unidos com a Coreia do Norte levem à completa desnuclearização do país num prazo de até dois anos e meio - ou seja, até o fim de 2020.

É a primeira menção a um cronograma para o fim das armas nucleares no país.

O período coincide com o fim do mandato do presidente Donald Trump, que se reuniu com o ditador norte-coreano Kim Jong Un na terça-feira (12).

O encontro de Trump e Kim foi considerado histórico, por marcar a primeira reunião de um presidente dos EUA com um líder da Coreia do Norte. Bill Clinton e Jimmy Carter já se encontraram com dirigentes norte-coreanos, mas quando não estavam mais na Casa Branca.

Mas o resultado da cúpula histórica foi uma declaração considerada vaga por especialistas, que repete promessas descumpridas no passado e não estabelece prazos para que a prometida desnuclearização total da península Coreana seja levada a cabo.

Pompeo defendeu o compromisso obtido nesta semana e disse que muito do que foi negociado e acordado com os norte-coreanos não foi incluído no documento final - como o consenso de que as armas nucleares do país serão verificadas e fiscalizadas "em profundidade" por observadores internacionais.

"Nós temos trabalhado nisso há meses, e estou confiante de que o processo vai se mover muito rapidamente daqui em diante", afirmou o secretário.

De acordo com Pompeo, as reuniões entre os técnicos dos dois países para estabelecer os próximos passos devem ocorrer a partir da próxima semana.

Logo após o encontro de terça, entre os dois líderes em Singapura, Trump reconheceu que será necessário um grande esforço para desmobilizar um arsenal como o norte-coreano e que há impeditivos "científicos e mecânicos" para que isso seja feito de forma rápida.

Sanções

A Rússia solicitou ontem ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que analise a suspensão progressiva das sanções econômicas contra a Coreia do Norte, após o acordo firmado com os EUA para eliminar as armas nucleares da península coreana.

O Conselho aprovou no ano passado três pacotes de duras sanções econômicas contra Pyongyang, que proíbem quase todas as suas exportações de matéria-prima e limitam severamente o fornecimento de combustíveis. Estas medidas foram uma resposta aos disparos de mísseis e ao teste nuclear realizados pelo regime norte-coreano, considerados uma ameaça à estabilidade internacional.

"É simplesmente natural que pensemos sobre dar passos nesta direção", declarou o embaixador russo Vassily Nebenzia sobre a suspensão das sanções.

"Existe um progresso que deve ser recíproco. Deve haver contrapartidas" porque "a outra parte precisa de estímulo para avançar". Mas EUA, Japão e os países europeus defendem a permanência das sanções até o desmantelamento completo do arsenal.

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