da nicarágua

Daniel Ortega garante que se manterá na presidência

00:00 · 01.06.2018 / atualizado às 02:24
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Confrontos registrados ontem deixaram 11 mortos. Incidentes elevaram para quase 100 o número de mortos em um mês e meio de conflitos ( Foto: AFP )

Manágua. O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que permanecerá à frente do governo, em um discurso para milhares de partidários em Manágua, em meio à onda de protestos exigindo sua renúncia e eleições antecipadas.

"A Nicarágua é de todos e vamos ficar todos aqui", disse Ortega durante uma grande concentração no norte da capital. O presidente assinalou que após décadas de conflito na Nicarágua "a paz chegou, mas foi um caminho longo" e é preciso defendê-la.

"A Nicarágua não é propriedade privada de ninguém. A Nicarágua é de todos os nicaraguenses, independentemente dos nossos pensamentos políticos, religiosos e ideológicos. Deus deu esta terra a todos os nicaraguenses".

"O demônio está mostrando as garras para destruir um país onde havia paz, uma Nicarágua que era admirada no mundo por sua capacidade de reconciliação", disse Ortega, no poder desde 2007. Ontem, a Igreja Católica da Nicarágua rechaçou mediar o diálogo entre o governo e a oposição para acabar com as protestos no país, após um dia de confrontos que deixaram 11 mortos e que elevam para quase 100 o número de mortos em um mês e meio de conflitos.

A Conferência Episcopal da Nicarágua (CEN) anunciou que não retomará o diálogo em busca de uma saída para crise no país enquanto "o povo continuar sendo reprimido e assassinado".

Violência

O anúncio chega depois de uma quarta-feira (30) violenta, em que, segundo a polícia de Nicarágua houve 15 mortos por armas de fogo e 199 feridos nos confrontos entre a noite de quarta-feira e a madrugada de quinta em Manágua, Masaya (sudeste da capital), Estelí (norte) e Chinandega (noroeste).

Ataques à imprensa

Durante os incidentes também foram queimadas instalações da emissora do governo Radio Ya e uma cooperativa de crédito rural. A fachada do estádio nacional de beisebol foi destruída. Também foram atacados o canal opositor 100% Noticias e os estúdios de transmissão da também opositora radio Darío, em León.

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