Ex-presidente argentina

Cristina rechaça ter recebido propina

00:00 · 14.08.2018
Cristina Kirchner
Alvo de denúncias, Cristina Kirchner se diz vítima de um complô envolvendo várias instituições do país ( FOTO: AFP )

Buenos Aires. A ex-presidente e senadora opositora argentina Cristina Kirchner denunciou, ontem, um plano político, judicial e midiático contra líderes progressistas da América Latina, ao comparecer ante o juiz que a acusa de corrupção.

"É a nova estratégia regional para proscrever dirigentes, movimentos e forças políticas que ampliaram direitos e permitiram tirar da pobreza milhões de pessoas durante a primeira década e meia do século XXI", disse em um texto no qual desafiou o juiz Claudio Bonadio e o promotor Carlos Stornelli, encarregado do caso. Kirchner chegou sorridente e saudando as câmeras, acompanhada por dois dirigentes sociais e políticos, Eduardo Valdés e Juan Grabois, próximos ao papa Francisco. Ela ficou por cerca de uma hora no tribunal.

Esquema

Ela aparece mencionada no "Escândalo dos Cadernos" junto com ex-funcionários de seu governo e mais de 20 grandes empresários argentinos assinalados por supostos pagamentos de subornos ou financiamento ilegal de campanhas eleitorais. O promotor diz que ela é a "chefe de uma associação criminosa".

Kirchner disse que "é uma decisão política do Poder Judiciário, em sua mais alta expressão, em coordenação com o Poder Executivo (do presidente Mauricio Macri) e os meios hegemônicos, para ungir Bonadio como braço de perseguição contra a minha pessoa".

A residência do casal Kirchner em Buenos Aires figura como ponto de entrega de bolsas com dólares em espécie que grandes empresários argentinos deram supostamente em troca de adjudicações em obras públicas, segundo o relato do ex-motorista Oscar Centeno, que teria realizado várias dessas viagens entre 2005 e 2015. Outros lugares mencionados são a sede do governo (Casa Rosada) e a residência presidencial de Olivos.

O "Escândalo dos Cadernos" envolve os maiores empresários do país, entre eles Angelo Calcaterra, primo de Macri. Os detidos se declaram arrependidos, o que permitiu a vários serem soltos. O caso depende em boa parte da informação que estes arrependidos fornecerem ao juiz.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.