Poder abalado

Crise pode gerar colapso no Egito

02:31 · 30.01.2013
Três cidades aderiram aos protestos assim que o toque de recolher entrou em vigor na noite de segunda-feira

Port Said, Egito Milhares de manifestantes pedindo a saída do presidente do Egito marcharam em funerais novamente ontem na agitada cidade de Port Said, enquanto o chefe do Exército egípcio advertiu que o Estado pode entrar em colapso se a crise política no país persistir.

Centenas de pessoas tomaram as ruas em desafio direto ao toque de recolher e estado de emergência imposto pelo presidente Mursi FOTO: REUTERS


Na noite de segunda-feira, tropas do Exército ocuparam Port Said e Suez, duas cidades localizadas no estratégico Canal de Suez, enquanto centenas de pessoas tomaram as ruas em desafio direto ao toque de recolher e estado de emergência imposto pelo presidente Mohammed Mursi um dia antes.

Residentes das duas cidades e de Ismailiya, a terceira localidade também em estado de emergência, aderiram aos protestos assim que o toque de recolher entrou em vigor no começo da noite de segunda-feira.

A exibição de desprezo à decisão de Mursi foi equivalente à rebelião que, na preocupação de muitos, pode se espalhar por outras partes do país. Até o momento, os protestos que ocorreram em grande parte do Egito resultaram em confrontos com a Polícia, bloqueio de estradas, cerco a escritórios do governo e postos policiais como parte de uma revolta crescente contra o presidente e seu grupo islâmico, a Irmandade Muçulmana. Ao menos 60 pessoas já morreram desde a sexta-feira.

O ministro da Defesa do Egito, general Abdel Fattah al-Sissi, alertou ontem que a crise política que está abalando o país "pode levar a graves consequências se as forças políticas não agirem" para enfrentar o problema. Segundo o general, o conflito entre forças políticas e opositores sobre a gestão do país pode "levar a um colapso do Estado e ameaçar futuras gerações". As falas de Sissi foram tiradas de um discurso feito a estudantes em uma academia militar. O ministro, que também é o líder do Exército do Egito, avisou que os problemas políticos, econômicos, sociais e de segurança do país constituem "uma ameaça à segurança do país e sua estabilidade".

Os grupos de oposição acusam Mursi, a Irmandade Muçulmana e outros islamitas de monopolizarem o poder no Egito e de falharem em levar adiante os ideais a favor da democracia, os mesmos que levaram a população a tirar do poder o líder Hosni Mubarak dois anos atrás.

No Cairo, intensos combates nos últimos dias em torno da Praça Tahrir isolaram dois hotéis e forçaram a embaixada dos EUA a suspender o funcionamento. O lobby do hotel Semíramis foi depredado após os tumultos do lado de fora terem se espalhado pelo hotel ontem, quando um homem mascarado armado tentou roubar o local.

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