Confrontos em Golã

Crise entre Israel e Irã alarma mundo

Após a Casa Branca romper acordo nuclear, países arqui-inimigos do Oriente Médio trocam agressões militares

No Monte Bental, nas Colinas de Golã, Israel tenta manter a aparência de vigilância constante das forças iranianas e sírias, que lançaram foguetes na sua área ( Foto: AFP )
00:00 · 11.05.2018

Tel Aviv/Teerã. A escalada militar inédita entre Israel e Irã alarmou a comunidade internacional, que ontem pediu prudência diante do perigo de uma guerra aberta entre os dois países inimigos no conflito sírio.

Na madrugada de quinta-feira, Israel realizou dezenas de ataques aéreos contra infraestruturas supostamente iranianas na Síria, em represália pelo disparo de foguetes contra suas posições nas Colinas de Golã.

Se for confirmada a autoria, estes disparos de mísseis atribuídos ao Irã seriam os primeiros contra posições israelenses no âmbito de um confronto de várias décadas entre os países inimigos. O Irã não quer "novas tensões" no Oriente Médio, disse o presidente iraniano, Hassan Rohani, em ligação com a chanceler alemã, Angela Merkel.

"O Irã sempre tentou diminuir as tensões na região, reforçando a segurança e a estabilidade", declarou Rohani.

Além do seu envolvimento direto no conflito sírio e em outros focos bélicos no Oriente Médio, o Irã tem desde quarta-feira uma frente diplomática novamente aberta e especialmente grave: a denúncia dos EUA do acordo nuclear assinado em 2015.

O ataque israelense na Síria foi de uma força excepcional desde o início da guerra civil no país, em 2011. Os ataques noturnos israelenses mataram pelo menos 23 combatentes (cinco soldados sírios e 18 estrangeiros), informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma ONG com uma rede de fontes na Síria.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, advertiu que o Irã cruzou "uma linha vermelha" ao disparar mísseis contra as forças israelenses da Síria, o que provocou a maciça represália aérea. "Estamos em uma campanha prolongada e nossa política é clara: não autorizaremos o Irã a se estabelecer militarmente na Síria", advertiu.

Nova fase

Em um momento de grande tensão na região, os ataques israelenses marcam "uma nova fase" na guerra que devasta a Síria há sete anos, assinalou o regime de Bashar al-Assad. "A escalada das últimas horas nos mostra que é realmente uma questão de guerra, ou paz", advertiu a chanceler alemã, Angela Merkel.

Segundo vários especialistas, a Rússia, poderoso aliado do regime de Assad, pode ter um importante papel nesta crise. A Rússia declarou ter contactado todas as partes e pedido "prudência".

Sem surpresas, a Casa Branca denunciou "ataques provocadores" do Irã e reiterou o "direito de Israel de agir para se defender", enquanto a União Europeia pediu que evitem "uma escalada".

Alerta

Segundo o Ministério russo da Defesa, o Exército israelense utilizou 28 aviões e disparou 60 mísseis ar-terra, assim como mais de 10 mísseis táticos terra-terra a partir de seu território.

As posições israelenses nas Colinas de Golã sírias ocupadas por Israel foram alvo de 20 foguetes do tipo Fajr, ou Grad. Israel permanece em "estado de alerta elevado". Os moradores de Golã receberam a instrução de evitar as concentrações de pessoas.

Já o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu "um cessar imediato dos atos hostis e de provocação". A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, reforçou que Berlim vai se manter firme no acordo nuclear internacional enquanto o país persa "seguir cumprindo suas obrigações".

Ontem, o petróleo fechou em seu maior valor desde o fim de 2014 devido às tensões no Oriente Médio, grande região exportadora, e o consequente risco de uma menor oferta do óleo no mercado. Em Londres, o barril bateu US$ 77,47. Em NY, encerrou a US$ 71,36. A alta da commodity prejudica a economia mundial, pois eleva o custo dos combustíveis e causa inflação.

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