Pausa nos Testes Balísticos

Coreias farão encontro histórico no mês de abril

Após visitar Pyongyang, diplomacia de Seul diz a Washington que regime do Norte pode abrir mão de armas nucleares

Norte-coreano Kim Jong-un cumprimentou o chefe da delegação de Seul, Chung Eui-yong , enviado para discutir novas medidas de reaproximação ( Foto: AFP )
00:00 · 07.03.2018

Seul/Pyongyang. O líder norte-coreano, Kim Jong-un, disse a diplomatas da Coreia do Sul que está disposto a iniciar um diálogo com os EUA sobre o fim de seu programa nuclear e que aceita suspender os testes de mísseis durante as negociações.

A informação foi divulgada, ontem, por Chung Eui-yong, chefe da delegação sul-coreana que se encontrou no dia anterior com Kim em Pyongyang. Segundo ele, o governo norte-coreano teria dito que não há necessidade de manter seu programa nuclear caso receba garantias internacionais de que o país não sofrerá um ataque militar, e que o atual regime será respeitado.

"A Coreia do Norte afirmou claramente que está disposta a se desnuclearizar", disse o sul-coreano em nota. "O regime norte-coreano deixou claro que não tem razão para manter armas nucleares se a ameaça militar ao Norte foi eliminada e forem dadas garantias de segurança".

Ele afirmou ainda que o ditador norte-coreano aceitou se encontrar com o presidente sul-coreano Moon Jae-in, no primeiro encontro entre os líderes dos dois países desde 2007.

A reunião deverá ocorrer no fim de abril na fronteira entre as Coreias, no vilarejo de Panmunjon. Chung confirmou também que viajará em breve aos EUA para se encontrar com Donald Trump. Depois, ele irá para Rússia e China, países mais próximos da Coreia do Norte.

Será a primeira vez desde que Kim chegou ao poder em 2011 que ele sinaliza a possibilidade de abrir mão de seu programa nuclear, em mais um passo da recente reaproximação entre as duas Coreias.

Após realizar diversos testes de mísseis e de armas nucleares ao longo de 2017, Pyongyang decidiu mudar o tom de sua diplomacia no início de 2018.

Reação americana

O presidente norte-americano, Donald Trump, recebeu o anúncio com cautela. "Possível progresso está sendo alcançado em conversas com a Coreia do Norte. Pela primeira vez em muitas anos está sendo feito um esforço sério de todas as partes envolvidas", tuitou. "O mundo está olhando e aguardando. Pode ser uma falsa esperança, mas os EUA estão prontos para ir em qualquer direção", acrescentou.

Depois, ele declarou que acha que "as declarações que chegam da Coreia do Sul e da Coreia do Norte foram muito positivas".

Já a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Heather Nauert, informou, ontem, que a Coreia do Norte foi a mandante do assassinato do meio-irmão e adversário em potencial de Kim Jong-un, com o agente neurotóxico VX. "Este desprezo público pelas normas universais contra o uso de armas químicas demonstra uma vez mais a natureza impiedosa da Coreia do Norte e destaca que não podemos nos permitir tolerar um programa norte-coreano de armas de destruição em massa de nenhum tipo", disse Nauert.

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