SUCEDENDO BACHELET

Conservador Piñera volta ao poder no Chile

Um dos homens mais ricos do País, ele governará com aliança que vai da direita liberal ao 'pinochetismo'

00:00 · 12.03.2018 / atualizado às 11:58
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Uma das tarefas mais urgentes do novo presidente será reativar a economia, que na última gestão de Michelle Bachelet cresceu com média anual de 2,1% ( Foto: AFP )

Santiago. O conservador Sebastián Piñera assumiu ontem, pela segunda vez, a presidência do Chile com a promessa de fortalecer a abatida economia do país e retocar as principais reformas de sua antecessora, a socialista Michelle Bachelet.

Piñera, de 68 anos, volta à chefia do governo depois de ter presidido o país de 2010 a 2014, na ocasião marcando o primeiro triunfo de um candidato conservador depois de 20 anos de governos de centro-esquerda.

O político ganhou as eleições do ano passado com a promessa de eficiência na gestão e de posicionar o Chile no caminho do crescimento e do progresso, um discurso parecido com o que o levou à vitória no pleito de 2009.

Agora, no entanto, Piñera afirma que será um presidente diferente daquele do primeiro mandato, mais sossegado e experiente. "A melhor universidade para ser presidente não é Harvard, nem Chicago, é o Palácio de la Moneda (sede do governo do Chile)", afirmou.

Uma das suas tarefas mais urgentes será tentar reativar a economia, que, durante a última gestão de Michelle Bachelet cresceu com média anual de 2,1%.

Piñera navegará com o vento a favor. O fortalecimento do comércio internacional e a alta do preço do cobre melhoraram as perspectivas para a economia chilena antes de ele assumir a presidência, embora ele tenha planejado medidas adicionais.

Uma delas é diminuir o imposto sobre as empresas, mantendo a arrecadação tributária, para favorecer a atividade econômica e a criação de empregos. Ele ressaltou que não chega com uma escavadeira para demolir o legado de Bachelet, mas avisou que tomará as medidas necessárias para "melhorar" algumas das principais reformas promovidas por sua antecessora, como a tributária, a trabalhista e a educativa.

Coalizão

Para realizar seu ambicioso programa de governo, ele conta com o apoio do "Chile Vamos", uma coalizão de partidos que abrange desde a direita liberal até o pinochetismo. A coalizão conta com 19 senadores e 72 deputados, enquanto a nova oposição de centro-esquerda tem 16 cadeiras na câmara alta e 43 na baixa.

Piñera compartilhou nas últimas décadas a atividade política com uma bem-sucedida trajetória empresarial que o transformou em uma das pessoas mais ricas do país, com um patrimônio familiar de US$ 2,7 bilhões, segundo a revista Forbes. Nascido em Santiago, em 1949, em uma família de classe média, ele foi o terceiro dos cinco filhos de Magdalena Echenique e José Piñera, um engenheiro e diplomata que participou da fundação do Democracia Cristã.

Doutor em economia pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, esse político e empresário, casado desde 1973 com Cecilia Morel e pai de quatro filhos, foi militante e senador pelo Renovação Nacional, um dos principais partidos da direita chilena.

Apesar disso, simpatizou com o Democracia Cristã quando era jovem, votou contra a continuidade de Augusto Pinochet no plebiscito de 1989 e sempre condenou a violação aos direitos humanos cometida pela ditadura.

Congresso chileno

O novo Congresso do Chile foi formado neste domingo, antes da posse do presidente Sebastián Piñera, que não conta com a maioria absoluta, em um ambiente fortemente fragmentado.

A neta de Salvador Allende, chefe de Estado socialista que se suicidou em meio ao levante militar liderado por Pinochet em 11 de setembro de 1973, foi eleita presidente da Câmara dos Deputados.

O Congresso que assumiu é resultado da reforma eleitoral promovida por Michelle Bachelet, que estabeleceu um sistema proporcional em troca do binominal, herança da ditadura.

A ascensão da Frente Ampla, coalizão de pequenos partidos chefiada por ex-líderes dos protestos estudantis de 2011, é considerada o maior chacoalhão na política chilena desde o retorno da democracia, após a ditadura de Pinochet (1973-1990).

Coalizão

 

72 eputados e 19 senadores compõem a "Chile Vamos" o que deu vitória a Sebástian Pinëra

E com a qual ele pretende

Realizar um programa de governo

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