De Segurança da ONU

Conselho discutirá hoje conflito Gaza-Israel

Escalada da violência na fronteira já deixou mais de 120 pessoas mortas desde março, quando começaram os protestos

Disparos de morteiros a partir da Faixa de Gaza motivaram série de ataques aéreos por parte das forças de Tel-Aviv, depois de semanas de agressões ( FOTO: AFP )
00:00 · 30.05.2018

Nova York/Gaza. O Conselho de Segurança da ONU se reunirá hoje a pedido dos EUA para discutir os lançamentos de foguetes palestinos de Gaza para Israel, anunciaram diplomatas.

Os EUA apresentaram um rascunho de comunicado pedindo ao Conselho para condenar "nos termos mais enérgicos os disparos indiscriminados de foguetes por parte de militantes palestinos em Gaza" par Israel.

A reunião está prevista para às 15h local (16h em Brasília) de hoje, e Nickolay Mladenov, enviado especial da ONU para o Oriente Médio, fará um relatório aos integrantes do Conselho. Mais cedo, a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, denunciou a ação em comunicado.

"Os recentes ataques de Gaza são os mais significativos desde 2014. Os disparos de morteiros por parte de militantes palestinos alcançaram instalações civis, incluindo um jardim de infância". "O Conselho de Segurança deveria estar indignado e responder a este último episódio de violência dirigido contra civis israelenses inocentes", acrescentou. "Os dirigentes palestinos devem prestar contas pelo o que permitem fazer em Gaza".

O Exército de Israel lançou bombardeios na segunda-feira na Faixa de Gaza, em resposta aos disparos de projéteis contra o território israelense.

A Faixa de Gaza é epicentro de crescentes tensão desde 30 de março, quando começou "A grande marcha do retorno". Os protestos palestinos foram violentos ao longo da fronteira entre Gaza e Israel.

Pelo menos 121 palestinos morreram por disparos israelenses desde então, a maioria em distúrbios violentos ao longo da cerca de segurança de Israel.

Israel afirma que defende seus fronteiras e acusa o Hamas de se aproveitar dessa mobilização para encobrir tentativas de atacar sua fronteira. Há mais de 10 anos o enclave está submetido a um estrito bloqueio israelense por terra, mar e ar.

Morteiros

O Exército israelense realizou ontem uma série de ataques aéreos na Faixa de Gaza em resposta aos disparos de morteiros a partir do enclave palestino, após semanas de confrontos sangrentos. Paralelamente, uma flotilha de dezenas de pequenos barcos de pesca palestinos foi ao mar para denunciar o bloqueio marítimo do enclave.

Os pescadores se aproximaram do limite de nove milhas náuticas (16 km) onde estavam ancorados navios israelenses para fazer respeitar o bloqueio.

A intenção desta operação marítima, proclamada como pacífica por seus organizadores, não estava clara. Uma tentativa de furar o bloqueio poderia resultar numa resposta violenta de Israel. Desde o início da manhã, 28 morteiros, segundo o Exército israelense, foram disparados contra Israel a partir de Gaza. Depois destes 28, outros tiros foram interceptados.

Em um raro comunicado conjunto, o movimento Hamas e a Jihad Islâmica reivindicaram os ataques com morteiros e foguetes que resultaram nesta escalada de represálias. Esses lançamentos foram uma resposta a disparos israelenses prévios, explicaram. Esses "crimes israelenses não podem ser tolerados de nenhuma maneira", disseram.

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