Guerra civil síria

Começa evacuação de civis em Ghuta Oriental

Região rebelde, perto da capital, sofre com fortes bombardeios do regime de Bashar Al-Assad desde 18 de fevereiro

Cerca de 1.500 pessoas, incluindo 400 combatentes, embarcaram em 26 ônibus. O governo de Damasco e seu aliado russo concluíram um acordo com o grupo Ahrar al-Sham para evacuar Harasta, um dos três povoados que resistem ( Foto: AFP )
00:00 · 23.03.2018

Damasco. O primeiro comboio de combatentes rebeldes deixou Ghuta Oriental ontem, pela primeira vez desde o lançamento da ofensiva do regime sírio, determinado a recuperar este reduto insurgente nas proximidades de Damasco.

"Partiram os primeiros ônibus transportando os combatentes de Harasta rumo a Idlib", região no noroeste do país que segue sob controle insurgente, anunciou a TV estatal síria.

Cerca de 1.500 pessoas, incluindo 400 combatentes, viajavam em 26 ônibus, segundo uma fonte militar no terreno.

O governo sírio e seu aliado russo concluíram um acordo com o grupo rebelde islamita Ahrar al-Sham para evacuar Harasta, o menor e menos povoado dos três bolsões rebeldes que ainda resistem em Ghuta Oriental.

Mas os ataques aéreos do regime e fogo de artilharia continuavam ontem em outras localidades e mataram 19 civis, incluindo 16 em Zamalka, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Um correspondente da agência de notícias France Presse no local viu grandes nuvens de fumaça dos edifícios atingidos.

Já os rebeldes dispararam bombas e foguetes em Damasco, e quatro pessoas morreram na capital, segundo a televisão estatal. Em Harasta, as operações de evacuação começaram no final da manhã, com várias horas de atraso, e podem durar vários dias, segundo o porta-voz do Ahrar al-Sham, Munzer Fares.

No total, cerca de 1.600 combatentes e 6.000 membros de suas famílias devem deixar Harasta, segundo a agência Sana.

Avanço de Assad

Em mais de um mês de bombardeios aéreos e combates terrestres, o regime do presidente Bashar Al-Assad recuperou mais de 80% do território deste enclave rebelde. Desde o início da ofensiva, em 18 de fevereiro, mais de 1.500 civis morreram, segundo o OSDH.

"Harasta foi completamente destruída, a situação dos habitantes é dramática", declarou o chefe do conselho rebelde local, Hossam al-Beirut.

"Esta semana, metade das famílias não tinha nada para comer. As doenças estão causando estragos nos porões", onde as pessoas vivem escondidas para escapar dos bombardeios do regime, lamentou.

A evolução em Ghuta lembra o que aconteceu em outras fortalezas rebeldes recuperadas nos últimos anos pelo governo, inclusive na cidade de Aleppo (norte) no final de 2016.

Ao final de intensos bombardeios e de cercos asfixiantes, os insurgentes dessas localidades e os civis que os apoiavam foram colocados em ônibus, na direção de Idleb. A Anistia Internacional denunciou o deslocamento forçado de populações. Multiplicando as vitórias contra os rebeldes, mas também contra os extremistas, Assad, apoiado por seus aliados Rússia e Irã, já reconquistou mais da metade da Síria.

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