na síria

Com medo de ofensiva, pessoas fogem de Idlib

Presidentes do Irã, da Rússia e da Turquia vão realizar hoje uma cúpula para evitar um 'banho de sangue' na província

00:00 · 07.09.2018
Image-0-Artigo-2450404-1
Forças leais ao presidente sírio Bashar al-Assad dispararam foguetes para atingir posições dos grupos rebeldes que lutam contra o governo, nas colinas de Safa; a iminência de uma ofensiva na província de Idlib deixa a ONU em alerta ( FOTO: AFP )

Teerã/Idlib. Centenas de civis sírios fugiram da província de Idlib, último grande bastião rebelde na Síria, rumo a Aleppo, mais ao norte, por temor de uma ofensiva do Exército sírio, relatou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Já os presidentes de Irã, Rússia e Turquia celebrarão hoje uma cúpula, em Teerã para determinar o destino de Idlib.

Às vésperas dessa reunião entre os principais padrinhos dos beligerantes sírios - Rússia e Irã, aliados do governo, e Turquia, dos rebeldes-, a ONU advertiu contra o risco de um "banho de sangue" em Idlib.

Forças do governo Bashar al-Assad voltaram a bombardear, ontem, o sudeste da província.

Apesar de deixar um rastro de perdas humanas e destruições colossais, a aviação é uma arma crucial para o governo e seu aliado russo nos ataques para retomar os bastiões rebeldes e extremistas. Determinado a reassumir o controle de todo seu território, e com a ajuda militar russa e iraniana, o governo enviou vários reforços para os limites da província, na fronteira com a Turquia, dominada pelos extremistas do Hayat Tahrir al-Sham, mas onde também estão outras importantes facções rebeldes.

Desde a véspera, os habitantes de várias aldeias do sudeste de Idlib se dirigiram para a província vizinha de Aleppo, no norte, indicou o OSDH. "São 180 famílias, cerca de mil pessoas", disse o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

"Dirigem-se para o oeste da província de Aleppo e para a região de Afrin", perto da fronteira com a Turquia, indicou a fonte.

Mohamed Al Zir, um morador da cidade de Idlib, disse ter medo, sobretudo, dos ataques aéreos do governo e de seu aliado russo. "São forças aéreas criminosas que cometem massacres entre os civis", acusa.

"Os bombardeios são selvagens e não têm alvos, atiram às cegas", completa. A ONU teme que uma ofensiva do governo provoque o deslocamento de até 800.000 pessoas.

Cessar-fogo

Oito países europeus da ONU solicitaram, ontem, a Moscou e Teerã que garantam o cessar-fogo. "Uma grande ofensiva militar em Idlib poderia colocar em jogo a vida de mais de três milhões de civis, incluindo um milhão de crianças, que vivem na região", alertaram Reino Unido, França, Alemanha, Bélgica, Polônia, Suécia, Itália e Holanda.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.