Longevidade e renda sobem

Com educação estagnada, IDH do Brasil não avança

País fica na 79ª posição no ranking mundial da ONU, atrás de países como Chile, Argentina, Uruguai e Venezuela

00:00 · 15.09.2018

Nova York/Brasília. As desigualdades no acesso da população brasileira à saúde, educação e perspectivas econômicas ainda persistem. O Brasil ficou estagnado pelo terceiro ano consecutivo no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) - permanece, desde 2015, na 79ª colocação entre 189 países analisados.

O IDH avalia o progresso dos países com base em três dimensões: saúde, educação e renda. O País alcançou a nota 0,759 - isso é apenas 0,001 a mais do que o obtido no ano anterior. A escala vai de zero a um. Quanto mais próximo de um, maior o desenvolvimento humano.

O relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano (PNUD), divulgado na sexta-feira, usou indicadores brasileiros de 2017.

Um dos indicadores responsáveis pela manutenção do posto do Brasil no ranking foi a saúde. A esperança de vida ao nascer do brasileiro é de 75,7 anos, um indicador que ano a ano apresenta melhoras. Em 2015, por exemplo, era de 75,3. A área da educação , por sua vez, apresenta poucas alterações. Desde 2015, anos esperados de escolaridade permanecem inalterados na marca de 15,4. A média de anos de estudo teve leve alta, de 7,6 para 7,8 no período 2015-2017.

A renda, por outro lado, apresenta uma queda importante quando comparada com 2015. O IDH não usa a conversão real do dólar, mas o quanto se pode comprar com ele, chamado de paridade do poder de compra (PPP, em inglês).

Em 2015, a renda nacional per capita era de 14,350 ppp, caiu para 13,730 em 2016 e agora teve uma leve recuperação: 13,755 ppp. O desempenho brasileiro atualmente é bem diferente do apresentado entre 2012 e 2014, período em que o País avançou seis colocações na classificação. Além do Brasil, outros 60 países mantiveram sua colocação no ranking. Na América do Sul, só Uruguai melhorou sua posição do ranking. Passou de 56º para 55º. Na América Latina, o Brasil ocupa o 5º lugar, perdendo para Chile, Argentina, Uruguai e Venezuela.

Melhores

No novo relatório do IDH, Noruega (0,953), Suíça (0,944), Austrália (0,939), Irlanda (0,938) e Alemanha (0,936) lideram o ranking com os melhores resultados. Os cinco últimos países no ranking são: Burundi (0,417), Chade (0,404), Sudão do Sul (0,388), República Centro-Africana (0,367) e Níger (0,354).

A Irlanda registrou um dos maiores crescimentos ao subir 13 posições de 2012 para 2017. Violência, conflitos armados e crises internas fizeram com que países como Síria, Líbia, Iêmen e Venezuela registrassem as maiores quedas do índice, respectivamente, 27, 26, 20 e 16 posições.

Desigualdade

O Brasil perde 17 posições na classificação do relatório do PNUD quando a desigualdade é levada em consideração.

A queda é a mesma que a apresentada pela África do Sul e menor apenas que a sofrida pelo arquipélago Comores, de 18 colocações. Se for considerado o coeficiente de Gini, que mede a concentração de renda, o Brasil é o 9º mais desigual.

Entre os países da América do Sul, o Brasil é o terceiro mais afetado por esse ajuste da desigualdade, ficando atrás do Paraguai e da Bolívia.

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