Corrida presidencial

Colômbia terá 2º turno entre direita e esquerda

Candidato de direita Iván Duque sai na frente com 39% dos votos, depois da votação realizada ontem

00:00 · 28.05.2018 / atualizado às 14:38
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Candidato da direita, Duque é advogado com mestrado em administração pública, foi senador (2014 e 2018) e é apadrinhado do ex-presidente Álvaro Uribe ( Foto: AFP )

Bogotá. Haverá segundo turno nas eleições para presidente da Colômbia, entre o direitista Iván Duque (Centro Democrático), afilhado político do ex-presidente Álvaro Uribe, e o esquerdista Gustavo Petro (Colômbia Humana). Com 99% dos votos contabilizados, até ontem à noite, Duque liderava com 39,1%, contra 25,1% de Petro. Segundo o CNE (Conselho Nacional Eleitoral), a tendência já era irreversível.

A votação do centro-esquerdista Sergio Fajardo foi a surpresa da eleição.

Enquanto as pesquisas lhe davam ao redor de 16%, o ex-prefeito de Medellín e ex-governador de Antioquia ficou com 23,8%, apenas um pouco atrás de Petro, ainda que sua votação tenha sido insuficiente para ir ao segundo turno. Em Bogotá e em Medellín, triunfou Fajardo.

Duque e Petro se enfrentarão novamente agora no próximo dia 17 de junho. A presença dos eleitores aos postos de votação foi muito maior do que no primeiro turno de 2014. Desta vez, 4 milhões de eleitores a mais compareceram às urnas. Num país em que a abstenção costuma ser alta (o voto não é obrigatório), cerca de 60% dos eleitores saíram de casa para votar.

Segundo pesquisa do instituto YanHaas para a RCN TV, numa projeção para a próxima votação, Duque sairia favorito, com 56% das intenções de voto, contra 31% de Petro.

Duque, 41, votou em Bogotá por volta das 11h30 (13h30 de Brasília) e disse: "Me sinto muito honrado de chegar a essas eleições como representante de uma nova geração que quer governar para todos".

Seu principal rival, o esquerdista Gustavo Petro (Colômbia Humana), 58, também votou na capital e voltou a chamar a atenção para as possibilidades de fraudes. Desde o sábado (26) à tarde, Petro insistia em que o sistema de computação dos votos "vinha sendo atacado, de dentro e de fora do país".

Perfis

O Conselho Nacional Eleitoral negou que houvesse ameaça ao resultado. O voto de Petro foi muito consistente na região metropolitana de Bogotá e, principalmente, na região da costa.

Aos 41 anos, formado em direito, Duque foi crítico ao acordo de paz com a então guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Seu objetivo é eliminar anistias a quem cometeu crimes de narcotráfico, algo que o acordo permite.

Com relação à economia, Duque é liberal e a favor da economia de mercado.

Gustavo Petro é o "outsider" desta disputa. Sem relações com partidos tradicionais, o candidato da coalizão Colômbia Humana é de esquerda e formou-se na guerrilha do M-19, que se desmobilizou nos anos 1990, transformando-se no partido Aliança Democrática. Petro já foi senador (2006-2010) e prefeito de Bogotá (2012-2015).

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