Após negociações em Bonn

Clima segue motivo de apreensão

Patricia Espinosa, responsável pelo clima das Nações Unidas, participou das negociações em Bonn ( Foto: ONU )
00:00 · 19.05.2017

Bonn. Os delegados do clima do mundo inteiro concluíram, ontem, 10 dias de negociações em meio às incertezas sobre a saída da administração de Donald Trump do Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas.

"Todos somos vulneráveis às mudanças climáticas e todos devemos agir", insistiu na sessão plenária final o primeiro-ministro de Fiji, Frank Bainimarama, que presidirá em novembro, também em Bonn, a COP23, a conferência climática anual da ONU.

Bainimarama, que ao fim da COP de Marrakech fez um apelo intenso a Donald Trump, então recém-eleito, para que não "abandonasse o barco", destacou que as regiões mais expostas vão "das ilhas do Pacífico a Miami, Nova York e Veneza".

"O momento é crítico", acrescentou, sem mencionar os EUA.

"Não podemos renunciar porque um de nós decidiu abandonar a família", declarou a embaixadora de Fiji, Nazhat Shameem Khan. "Por enquanto, os EUA não tomaram uma decisão e nós esperamos que permaneçam no Acordo. Mas não iremos paralisar nosso trabalho, ainda que a decisão seja negativa", disse.

"O espírito é bom. Há debates, alguns como a UE querem mais rigor na aplicação do Acordo, outros mais flexibilidade", disse David Levain, antigo negociador francês.

O processo climático está suspenso à espera da decisão de Donald Trump, que parece que agora vacila, apesar de ter prometido durante sua campanha eleitoral que retiraria os Estados Unidos deste acordo, apresentado por ele mesmo como uma "mentira" fomentada pelos chineses. Em Bonn, a delegação americana, reduzida ao seu mínimo histórico, esteve o tempo todo à espera de instruções.

"Seu chefe é um negociador experiente. Repetiu que sua posição estava sendo reestudada", assinalou a responsável do clima na ONU, Patricia Espinosa.

Todos os olhares se concentram agora nas cúpulas do G7, em 26 e 27 de maio, e do G20, no início de julho na Alemanha.

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