Devastação

Califórnia sofre sexto pior incêndio da história

O fogo destruiu quase 63 mil hectares e continua a avançar. Uma combinação de fatores é a causa da devastação

00:00 · 06.08.2018 / atualizado às 01:03
fogo
O ‘ciclo do fogo’ que acontece na Califórnia, Estado mais rico dos EUA, é um microcosmo do que acontece em outras partes do mundo ( Foto: AFP )
Clearlake Oaks. O incêndio Carr na Califórnia, que já é o sexto mais devastador do Estado do oeste dos Estados Unidos, fez a sétima vítima, trabalhador de manutenção de linhas elétricas, Jairus Ayeta, segundo informaram as autoridades. 

O fogo, localizado 322 quilômetros ao norte de San Francisco, continua crescendo, informou a agência de incêndios da Califórnia, CalFire.

O incêndio Carr destruiu 62.534 hectares desde 23 de julho, quando as autoridades reportaram uma “falha mecânica em um veículo”, que provocou a liberação de centelhas no terreno seco e ativou as chamas.

O fogo consumiu mais de 1.600 edifícios, incluindo mil residências, o que o torna o sexto mais destrutivo da história da Califórnia. Mais de 4.200 bombeiros combatem as chamas, mas até agora só conseguiram contê-las em 41%. Milhares de pessoas foram evacuadas, enquanto outros incêndios avançam pelo estado, embora algumas tenham sido autorizadas a voltar para casa.

Combinação de fatores

O aumento de incêndios como na Grécia, Portugal e na Califórnia nos últimos anos está longe de ser casual. A relação entre os efeitos das mudanças climáticas e a falta de cuidado no manejo de recursos florestais tornou várias regiões vulneráveis a esse tipo de evento. 

“Tais incêndios descontrolados, que os ecólogos denominam de ‘fire storms’ (tempestades de fogo), ocorrem sob uma combinação rara de umidade do ar muito baixa, temperatura elevada e ventos fortes. Isso ocorre com maior frequência devido a mudanças climáticas”, resume Giselda Durigan, pesquisadora do Instituto Florestal de São Paulo que estuda a interação entre as plantas do cerrado brasileiro e a ação do fogo.

O aumento de pouco mais de um grau Celsius na temperatura média global, registrado em relação ao fim do século 19 e causado majoritariamente pela ação humana (em especial, a queima de combustíveis fósseis), tem causado uma série de efeitos no sistema climático da Terra.

Situações extremas

Um dos mais importantes e visíveis é o aumento da probabilidade de situações extremas. Ou seja, dependendo do contexto regional, não apenas faz mais calor, em média, como há mais probabilidade de “pontos fora da curva”: dias de calor recorde, que agora são mais prováveis em 80% da superfície do planeta.

O estado mais rico dos EUA é um microcosmo do que está acontecendo em outras partes do mundo. Um estudo coordenado por William Matt Jolly, do Serviço Florestal Americano, mostrou que houve um aumento da duração das “estações de incêndios” em cerca de um quarto do globo entre 1979 e 2013.

A proporção da área da Terra coberta por vegetação que é afetada passou de cerca de 10% para 20% nesse período. Há uma correlação entre o processo e o aumento do número de dias seguidos nos quais não chove.

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