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Brics miram os EUA, em décima cúpula do bloco

Bloco realiza cúpula na África do Sul com alerta para o risco maior ao crescimento mundial, fruto do protecionismo

00:00 · 26.07.2018
Cyril Ramaphosa
Em alusão às práticas norte-americanas, Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, reconheceu que mundo está diante de "desafios sem precedentes" ( FOTO: AFP )

Joanesburgo/Brasília. Na cúpula que comemora os dez anos de sua criação, os países que formam o Brics (Brasil, Índia, China e África do Sul) voltaram suas baterias contra as políticas protecionistas dos EUA. As lideranças frisaram que as decisões unilaterais do governo Trump põem em risco o crescimento da economia global.

"A comunidade internacional chegou, novamente, a uma nova encruzilhada", disse o presidente chinês, Xi Jinping, em discurso durante o fórum de negócios que deu início à décima reunião do Brics. "Devemos perseguir cooperação e economia aberta. A guerra comercial deve ser rejeitada, porque não haverá vencedores", completou.

A China é o principal alvo do governo americano, que já anunciou sobre taxas a produtos que equivalem a cerca de metade do valor importado do país asiático e ameaça taxar o restante. As sobretaxas atingem fortemente também países da Europa. O Brasil foi obrigado a aceitar cotas para a exportação de aço para o mercado americano.

As lideranças do Brics pregaram ação conjunta contra o aumento do protecionismo, elevando o assunto a destaque na agenda do encontro, que tem como tema a colaboração para o crescimento inclusivo e a prosperidade compartilhada na quarta revolução industrial.

"Estamos nos encontrando aqui em um momento em que o sistema de comércio multilateral está enfrentando desafios sem precedentes", disse o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, acrescentando estar preocupado com o impacto das medidas protecionistas especialmente sobre os países em desenvolvimento.

"É um tema sobre o qual os países do Brics devem manifestar liderança bastante eficiente e vocal para defesa do comércio sujeito a regras e do multilateralismo internacional", afirmou durante a abertura do evento o ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes.

'Nacionalismos xenófobos'

Aloysio Nunes criticou ainda o crescimento de "nacionalismos xenófobos", que criminalizam a imigração. Ele não citou especificamente os Estados Unidos, mas o governo brasileiro já havia subido o tom na crítica à separação de filhos de imigrantes pelo governo norte-americano.

As críticas aos Estados Unidos deixaram em segundo plano a celebração dos dez anos do grupo, criado em meio à crise econômica 2008 como um esforço conjunto para a recuperação dos países, que concentram 40% da população mundial.

Em balanço feito em seu discurso, o presidente da África do Sul - que ocupa a presidência do Brics em 2018- citou como principal realização do grupo a criação do Novo Banco do Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês, o chamado banco do Brics), que até o momento desembolsou US$ 5,1 bilhões em empréstimos para países do bloco.

"Ao entrar na segunda década da cooperação entre os Brics, estamos determinados a expandir o papel do banco no desenvolvimento econômico e social", disse Ramaphosa.

A cooperação nos investimentos externos entre os membros do grupo, porém, ainda é pequena, representando apenas 6% do volume de investimentos estrangeiros dos quatro países.

Michel Temer não compareceu às primeiras sessões da cúpula e participou, ontem, de jantar com os chefes de Estado.

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