Brasileiro morre em tragédia na Espanha - Internacional - Diário do Nordeste

Desastre

Brasileiro morre em tragédia na Espanha

27.07.2013

O Itamaraty confirmou a informação ontem. Foram identificados 78 mortos no acidente em Santiago de Compostela

Madri. Um brasileiro de dupla nacionalidade é um dos 78 mortos no acidente de trem em Santiago de Compostela, na Espanha, na noite de ontem. Conforme uma lista de vítimas divulgada pela polícia da Galícia ontem, o nome dele é Fabio Cundines Antelo, de 25 anos de idade.

Fabio tinha dupla nacionalidade. Ele tinha 25 anos e trabalhava como fotógrafo e editor gráfico na revista "Líbero", que trata de assuntos esportivos


O Ministério das Relações Exteriores brasileiro não confirma a identidade, mas informa que o consulado em Madri entrou em contato com a família e ofereceu apoio, dispensado por parentes da vítima.

De acordo com seu perfil no microblog Twitter, Fabio era fotógrafo e editor gráfico na revista "Líbero", que trata de assuntos esportivos.

Amigos prestaram solidariedade a Fabio pelas redes sociais, mas não quiseram estender-se sobre o caso. Uma espanhola que dividia apartamento com ele afirmou que a família "está devastada".

A publicação informou a identidade de 66 pessoas, com suas datas de nascimento e procedência. Além dos espanhóis mortos, 11 estrangeiros de Colômbia, Argélia, EUA, França, Itália (2 cidadãos), México, República Dominicana e Venezuela (2) foram vítimas do acidente. Autoridades afirmam que ainda falta identifica três mortos.

Ontem, delegado da polícia científica, Antonio del Amo, afirmou que a identificação das vítimas é complexa, pois muitas vezes os corpos foram encontrados despedaçados, o que confunde o reconhecimento.

A revisão do número de mortos, de 80 para 78, foi feita depois que cientistas forenses combinaram partes de corpos num necrotério improvisado, instalado num ginásio de esportes em Santiago de Compostela, informou o delegado.

Del Amo disse que a polícia ainda trabalha na identificação do que acreditam ser os restos mortais de seis pessoas, o que significa que o número de vítimas fatais pode mudar.

Aproximadamente 90 pessoas permanecem hospitalizadas na região, 30 delas em estado grave, embora os feridos passem de 187 no total.

Descarrilamento

O trem, que levava 218 passageiros, descarrilou antes de chegar a Santiago de Compostela na véspera de um grande festival cristão na cidade. O descarrilamento ocorreu na ferrovia que une Madri a Ferrol, na curva mais fechada do percurso entre as cidades de Ourense e Santiago.

Autoridades da cidade cancelaram as cerimônias do festival religioso, que atrai milhares de cristãos todos os anos.

Maquinista recusa interrogatório

Madri.
O maquinista do trem que descarrilou na Espanha se negou a prestar depoimento à polícia ontem, informou uma porta-voz da corporação. Francisco José Garzón Amo, de 52 anos, está internado no Hospital Clínico de Santiago, sob custódia policial.

Garzón, que ficou levemente ferido e foi hospitalizado, havia sido detido por "imprudência" e por "crimes ligados ao acidente" FOTO: REUTERS

"O maquinista se negou a prestar depoimento à autoridade policial", informou o porta-voz, acrescentando que "será colocado à disposição da justiça o mais rápido possível".

A Polícia da Galícia anunciou ontem que o condutor, que ficou levemente ferido e foi hospitalizado, havia sido detido na véspera por "imprudência" e por "crimes ligados ao acidente".

Problema na freagem

O experiente maquinista, cuja foto, aturdido, com o rosto ensanguentado após o acidente, foi divulgada pela imprensa, parece não ter conseguido frear a tempo, quando o trem atingia a velocidade de 190 Km por hora em um trecho onde a velocidade era limitada a 80 km/h, segundo o "El País".

O trem que chegava de Madri descarrilou na noite de quarta-feira a quatro quilômetros da estação de Santiago de Compostela, no momento em que chegava a uma curva perigosa.

Os investigadores analisam como fator que levou ao acidente um sistema precário de segurança combinado com uma velocidade excessiva. O trem circulava em uma via de alta velocidade que não estava equipada com um programa de controle automático de velocidade.

A empresa que administra das linhas ferroviárias na Espanha (Adif) retomou ontem o tráfego da linha interrompida.

Este é um dos piores acidentes ferroviários da Espanha. Na década de 1940, um trem que também viajava de Madri para a Galícia se chocou com uma locomotiva, deixando centenas de mortos. Em 1972, um outro acidente com o trem que ia de Cádiz a Sevilha (Andaluzia, sul), tirou a vida de outras 77 pessoas.

Acidente pode impedir disputa pelo trem-bala

A empresa espanhola Renfe, operadora estatal dos trens e uma das principais interessadas em participar do leilão do trem-bala no Brasil, pode ficar fora da concorrência por causa do acidente em Santiago de Compostela.

Em maio, a ministra espanhola de Infraestrutura anunciou que a Renfe, em parceria com a Ineco e a CAF, duas outras companhias espanholas, entraria na disputa. O governo brasileiro obriga consórcios interessados a ter uma empresa operadora de trens de alta velocidade.

Um item do edital do trem-bala no Brasil diz, porém, que a operadora precisa declarar que "não participou da operação de qualquer sistema de TAV (Trem de Alta Velocidade) onde tenha ocorrido acidente fatal, no período de comprovação indicado, por causas imputáveis à operação do sistema".

A regra de cinco anos sem registro de vítimas foi criada principalmente para afastar operadores chineses, considerados inexperientes.

Agora, a regra poderá afetar também os espanhóis. Eles ainda mantêm forte interesse em disputar o trem-bala no Brasil.


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