Situação piora no mundo

Brasil e Índia lideram lista de países mais desiguais

Estudo aponta ainda que problema também se acentuou em países desenvolvidos, como os Estados Unidos

As diferenças sociais aumentaram em praticamente todo o planeta e, embora o País as tenha estabilizado, segue tendo as mais altas do mundo ( Foto: Helosa Araújo )
00:00 · 15.12.2017

Paris/Brasília. As desigualdades aumentaram profundamente no mundo desde a década de 1980, em particular nos Estados Unidos, de acordo com um estudo publicado ontem por uma centena de economistas, que se mostram preocupados com o possível agravamento da situação até 2050.

Em 2016, o pódio das regiões e países menos igualitários era formado por Brasil (55% da renda nacional nas mãos dos 10% mais rico), Índia (55%) e Oriente Médio (61%), que perfila segundo os autores um "horizonte de desigualdades" em escala mundial. No Oriente Médio, as desigualdades estão "sem dúvida subestimadas", destaca o relatório, que menciona uma contradição entre as estatísticas dos países do Golfo e alguns aspectos de sua economia, como o crescente recurso a trabalhadores estrangeiros mal remunerados.

"No Oriente Médio, na África subsaariana e no Brasil, as desigualdades permaneceram relativamente estáveis, mas a níveis muito elevados", afirma o documento. Europa, África, Ásia e o continente americano, "as desigualdades aumentaram em quase todas as regiões do mundo", ressalta o "Relatório sobre a Desigualdade Global", que compara de maneira inédita a distribuição da riqueza a nível mundial e sua evolução.

Ritmos diferentes

Este fenômeno, no entanto, aconteceu com ritmos diferentes, de acordo com as regiões, afirmam os coordenadores do estudo, que apontam um forte aumento das desigualdades nos Estados Unidos, mas também na China e na Rússia, países cujas economias registraram uma significativa liberalização durante os anos 1990.

De acordo com o estudo, que teve como coordenadores Lucas Chancel (da Paris School of Economics), Gabriel Zucman (Berkeley) e Thomas Pikkety, autor do best-seller "O Capital no século XXI", a parte da riqueza nacional nas mãos de 10% dos contribuintes mais ricos passou de 21% a 46% na Rússia e de 27% a 41% na China, entre 1980 e 2016. Nos EUA e no Canadá, este índice passou de 34% a 47%, enquanto na Europa foi registrado um aumento mais moderado (de 33% a 37%).

Em termos de evolução, a divergência é "extrema entre a Europa ocidental e os Estados Unidos, que tinham níveis de desigualdade comparáveis em 1980, mas se encontram atualmente em situações radicalmente diferentes", destaca o estudo, realizado com a colaboração de mais de 100 pesquisadores de 70 países.

Em 1980, a parte da riqueza nacional nas mãos de 50% dos contribuintes mais pobres era quase idêntica nas duas regiões: 24% na Europa ocidental e 21% nos Estados Unidos. Desde então, o índice permaneceu estável, a 22%, no lado europeu e caiu a 13% nos Estados Unidos.

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