Violência em alta

Brasil é apenas o 106º em 'Índice Global da Paz'

O mundo está menos pacífico hoje do que em qualquer outro período da última década, apontou relatório

00:00 · 07.06.2018 / atualizado às 01:08

Sydney/Brasília. O novo relatório Global Peace Index 2018 (Índice Global de Paz 2018, em tradução livre), publicado ontem, avalia a paz em 163 países abrangendo 99,7% da população mundial. O Brasil, que ocupa a 106ª posição e sofre com altos índices de criminalidade e corrupção, obteve uma leve melhora no ranking em relação a 2017, quando estava em 108º.

O mundo hoje tem o pior índice de paz da última década. O Brasil, entre os 23 indicadores analisados no documento, obteve os piores resultados em homicídios, percepção da criminalidade, acesso às armas, crimes violentos e terror político.

A América do Sul registrou a segunda maior taxa de homicídios entre as regiões do globo, ficando atrás apenas da América Central e do Caribe.

No mundo todo, as mortes em conflito aumentaram 264% nos últimos dez anos.

Países latino-americanos como o Chile e o Uruguai, apresentaram boas colocações no ranking, ocupando a 28ª e a 37ª posições, respectivamente.

O Brasil ficou a frente apenas da Venezuela (143º) e da Colômbia (145º), entre os latino-americanos. De maneira geral, o índice global de paz piorou 0,27% no último ano. Foi o quarto ano consecutivo de pioras, com 92 países apresentando deterioração dos níveis de paz e 71 apresentando melhoras.

Menos pacíficos

Os países menos pacíficos do mundo, atualmente, são a Síria (posição que ocupou nos últimos cinco anos), o Afeganistão, Sudão do Sul, Iraque e a Somália. Os mais pacíficos são a Islândia (país mais pacífico do mundo desde 2008), Nova Zelândia, Áustria, Portugal e Dinamarca.

A Europa, região mais pacífica do mundo, registrou piora pelo terceiro ano consecutivo, principalmente nos indicadores sobre intensidade do conflito interno e relações com os países vizinhos. As tensões, crises e conflitos que surgiram na última década seguem sem resoluções, principalmente no Oriente Médio, causando um declínio gradual nos níveis de paz.

Produzido pelo Instituto para Economia e Paz (IEP - Institute for Economics and Peace), o documento é o principal "medidor" mundial da paz. Baseado em uma análise abrangente de dados, traz atualizações sobre tendências da paz global, valores econômicos e definições de critérios para qualificar o que caracteriza sociedades pacíficas.

Prejuízos

O impacto econômico da violência no mundo em 2017 foi de US$ 14,76 trilhões em paridade de poder de compra. Esse valor é equivalente a 12,4% da atividade econômica mundial ou US$ 1.988 para cada pessoa.

O impacto econômico da violência aumentou 2% em 2017 devido a conflitos e gastos com segurança interna, com os maiores aumentos sendo registrados na China, Rússia e África do Sul.

"Os países com os mais altos níveis de paz tiveram uma média de dois pontos porcentuais adicionais nas suas taxas de crescimento do PIB nos últimos sessenta anos em comparação com os países menos pacíficos. Se examinarmos as vantagens econômicas da paz na última década, os países que apresentaram melhorias tiveram um aumento do PIB quase sete vezes maior do que os países onde a paz diminuiu. Esses números ressaltam as vantagens econômicas da paz", Steve Killelea, fundador e presidente executivo do IEP.

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