De empreiteiras brasileiras

Bolívia vê indícios de corrupção

00:00 · 12.09.2018
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Odebrecht é uma das empresas cujo nome está envolvido em denúncias no país vizinho ( FOTO: DIVULGAÇÃO )

La Paz. Uma comissão investigadora de congressistas bolivianos estabeleceu "indícios de propinas" das empresas brasileiras Odebrecht e Camargo Corrêa na construção de estradas, informou ontem uma legisladora governista. O Parlamento "nos instruiu fazer uma investigação completa para detectar se havia indícios de suborno nas estradas que as empresas brasileiras construíram na Bolívia e se a Lava Jato chegou à Bolívia. Ambas as situações estão confirmadas", disse Susana Rivero, presidente da comissão investigadora.

Os congressistas começaram suas investigações depois que, em abril, o presidente Evo Morales solicitou averiguar as denúncias publicadas nessas datas pela imprensa local, sobre as atividades de empresas construtoras brasileiras, assim como determinar se a operação Lava-Jato tinha alguma informação sobre ações ilegais na Bolívia.

Rivero detalhou que junto a um escritório do governo de investigações financeiras analisaram as contas bancárias de 179 pessoas de governos anteriores.

"O relatório final dará conta dos que tiverem movimentos incomuns, suspeitos ou provas de supostos subornos com Odebrecht e Camargo Corrêa, fundamentalmente", detalhou a parlamentar. Eram mencionaram na imprensa local atividades das duas empresas, de 2003 a 2006.

Ambas as companhias são mencionadas na construção de dois trechos de estrada no departamento de Santa Cruz, no leste do país, que inicialmente contavam com financiamento brasileira e que, por diferentes causas internas, foram reorientadas para a cooperação financeira da Corporação Andina de Fomento. Foi em 2005, durante o governo de Eduardo Rodriguez Veltzé, atual embaixador em Haia para a ação contra o Chile, que os contratos foram assinados.

A Operação Lava-Jato, lançada em 2014, descobriu uma enorme rede de suborno centrada na Petrobras. A Odebrecht, uma das empresas envolvidas no esquema, admitiu ter pago mais de US$ 3 bilhões em propinas na América Latina e na África para ganhar projetos ou financiar campanhas políticas. O escândalo da Odebrecht levou à prisão ex-presidentes e funcionários de alto escalão em países como Brasil, Peru e Colômbia.

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