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Bangladesh sofre tragédia infantil

Atrocidade contra a minoria muçulmana poderia ser considerada como 'crimes contra a humanidade'

00:00 · 13.11.2017
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A perseguição promovida por Mianmar, país de maioria budista, à minoria muçulmana provoca mortes de crianças e desfaz famílias inteiras ( Foto: AFP )

Daca. O governo de Bangladesh contabilizou 36 mil crianças que perderam um ou os dois pais entre os mais de 600 mil rohingyas que chegaram ao país desde 25 de agosto, um número seis vezes maior do que o estimado em setembro. "Temos 36 mil crianças rohingyas órfãs que perderam os pais ou o contato com eles em nossa apuração inicial", afirmou a vice-presidente do Departamento de Serviços Sociais, Seyda Ferdous Akter.

Desse total, 26 mil já foram cadastradas na base de dados e 22% delas perderam tanto o pai quanto a mãe. O porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em Bangladesh, A.M. Sakil Faizullah, alertou que muitos desses menores estão traumatizados e advertiu que cerca de mil famílias refugiadas são lideradas por crianças.

O Grupo de Coordenação Intersetorial da ONU informou que em dois meses e meio Bangladesh já está com 613 mil rohingyas, dos quais o Unicef acredita que 60% são crianças.

Violência sexual

As forças armadas de Mianmar também praticaram "sistematicamente" estupros coletivos de mulheres rohinyas. Pramila Patten, representante especial do secretário-geral da ONU que investiga a violência sexual contra as mulheres rohinyas, visitou o distrito de Cox's bazar, onde se refugiaram 610 mil rohinyas nas últimas 10 semanas.

Muitas destas atrocidades, "orquestradas" pelas forças armadas de Mianmar, "poderiam ser crimes contra a humanidade. Escutei relatos horríveis sobre estupros e estupros coletivos, um grande número de mulheres e meninas morreram depois de ser estupradas", acrescentou.

Os testemunhos das sobreviventes dão conta de "estupros coletivos cometidos por vários soldados, de humilhações", de mulheres "obrigadas a se despir em público" e de "escravidão sexual em cativeiro".

Entre os responsáveis pelos atos estão policiais de fronteira de Mianmar e membros de milícias formadas por budistas e por outros grupos étnicos no estado de Rakain. A perseguição é um fator-chave dos deslocamentos forçados e representaram uma ferramenta calculada dirigida à exterminação e à supressão dos rohinyas como grupo.

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