De greves a exposições

Atos marcam o Dia Internacional da Mulher

Apesar de mobilizações expressivas, prevaleceu a avaliação de que ainda falta muito para se obter a igualdade de gêneros

Na Espanha, manifestação se caracterizou por uma greve geral sem precedentes, com a convocação de mais de 5,3 milhões de pessoas ( Foto: Agência France Press )
00:00 · 09.03.2018

Barcelona/Roma. Da greve geral das mulheres a uma "maratona" feminina em um antigo reduto do grupo Estado Islâmico no Iraque: inúmeros eventos e manifestações marcaram o Dia Internacional da Mulher, ontem. Na Espanha, uma greve geral das mulheres, sem precedentes no país, traduziu-se em piquetes na frente de lojas, em atrasos no transporte público e na ausência das principais apresentadoras de televisão. Os dois principais sindicatos espanhóis, UGT e CO, convocaram uma paralisação de duas horas neste dia de trabalho, seguida por cerca de 5,3 milhões de pessoas em todo país, segundo suas estimativas.

Outros dez sindicatos convocaram uma greve de dia inteiro, inspirada em um movimento similar na Islândia, em 1975.

Uma convocação à greve para protestar contra a violência contra as mulheres foi feita de outro jeito na Itália. Lá, o movimento afetou, principalmente, os transportes: em especial metrô e ônibus em Roma, trens e o setor aéreo. Vários voos domésticos foram anulados no aeroporto de Roma-Fiumicino.

Cerca de 300 mulheres participaram de uma "maratona" simbólica de 900 metros em uma avenida de Mossul, a segunda maior cidade do Iraque. Mossul foi recuperada em julho passado das mãos dos extremistas do Estado Islâmico (EI). "Com essa maratona, queremos devolver o lugar da mulher, que passou muito tempo sendo marginalizada em Mossul", disse a organizadora do evento, Fatima Khalaf.

Entre as organizadoras, algumas levavam cartazes que lembravam as duras realidades sofridas pelas iraquianas: "Chega de casamento de menores!", "Rompa o silêncio e diga 'não'!", ou "Tenho o direito de me expressar livremente".

Na Alemanha, "a luta das mulheres pela igualdade continua", disse a chanceler Angela Merkel, para quem ainda há muito por fazer "para que as mulheres obtenham os mesmos direitos, mas também novos deveres para os homens". Já o Museu egípcio do Cairo expôs excepcionalmente três tesouros que destacam o papel das mulheres no Egito Antigo. Uma dessas obras é uma cabeça de quartzito de Nefertiti, lendária rainha da beleza que exercia um papel político e religioso fundamental há mais de 3.300 anos ao lado de seu marido, o faraó Akhenaton.

Garota sem medo

Na Noruega, uma réplica da "Fearless girl" - a "garota sem medo", a célebre estátua instalada há um ano da garota que enfrenta o touro em Wall Street - foi inaugurada em Oslo, diante do Parlamento nacional.

"Ela está lá para lembrar que ainda temos um longo caminho pela frente", disse o bilionário Christian Ringnes, que comprou a estátua para marcar a data.

Por sua vez, o jornal francês "Libération" estava sendo vendido ontem 25% mais caro para os homens, para simbolizar a desigualdade salarial entre os sexos, com a média nacional chegando a 25%. O premiê Edouard Philippe anunciou medidas para acabar com essas desigualdades no mundo do trabalho, enquanto a França aparece entre os piores países nessa matéria.

Na Rússia, por iniciativa da Anistia Internacional, um pequeno grupo de pessoas - entre elas Ksenia Sobtchak, candidata da oposição à eleição presidencial de 18 de março- reuniu-se diante da Duma (a Câmara Baixa do Parlamento russo), em Moscou, para apoiar jornalistas que acusaram o deputado Leonid Sloutski de assédio sexual.

A URSS (extinta União Soviética) foi pioneira em relação aos direitos das mulheres há um século e, em 8 de março, decretou feriado em 1965 - o que permanece até os dias de hoje.

Mas os casos de assédio sexual são, na maioria das vezes, relativizados, minimizados e até tratados com ironia.

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