No Paquistão

Atentados em comícios matam mais de 130

Estado Islâmico assumiu autoria dos ataques, os mais letais do país asiático em 1 ano, em meio à tensão eleitoral

00:00 · 14.07.2018
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Um homem paquistanês ferido é levado ao hospital em Quetta, após a explosão de uma bomba, em mais um ato de violência político-eleitoral ( Foto: AFP )

Mastung/Banuu. Dois atentados terroristas em comícios eleitorais no Paquistão deixaram um saldo de 132 mortos na sexta-feira (13). As eleições legislativas serão realizadas na próxima quarta em um clima cada vez mais tenso, diante do retorno do ex-premiê Nawaz Sharif ao país.

Os ataques ocorrem no momento em que o governo interino do Paquistão reprimiu aglomerações políticas com Sharif, que foi derrubado do poder pela Suprema Corte no ano passado e condenado por corrupção.

Um dos ataques ocorreu em um complexo onde acontecia um comício político em Mastung, a 40 km da cidade de Quetta, capital da província do Baluquistão, no sudoeste do país, matando 128 pessoas.

Trata-se do ataque mais letal no país em mais de um ano e o terceiro incidente relacionado às eleições nesta semana.

O Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pelo ataque, segundo a agência de notícias do grupo. Segundo a Defesa Civil da província do Baluquistão, um terrorista suicida carregava de 8 kg a 10 kg de explosivos.

De acordo com o ministro do Interior do Baluquistão, Agha Umar Bungalzai, o ataque visou uma reunião organizada pelo candidato à assembleia provincial Mir Siraj Raisani, que morreu. "Ele sucumbiu aos ferimentos quando era transferido para um hospital em Quetta", indicou. Ele era candidato ao cargo de deputado pelo partido Baluchistan Awami Party (BAP).

Insurgência étnica

"Meu irmão Siraj Raisani foi martirizado", afirmou Raji Lashkari Raisani, que também é candidato à assembleia provincial.

Militantes islâmicos ligados ao Taleban, à Al Qaeda e ao Estado Islâmico operam na província, que faz fronteira com o Irã e o Afeganistão. Também há uma insurgência étnica que luta contra o governo central. Em outro ataque, uma bomba escondida em uma moto explodiu perto de Bannu quando o comboio de outro candidato passou, matando quatro pessoas e ferindo 40.

Ex-premiê

Já o ex-premiê paquistanês Nawaz Sharif e sua filha, Maryam, condenados por corrupção, foram detidos, ao retornar ao seu país na sexta, pelas autoridades anticorrupção. Os dois foram condenados, respectivamente, a 10 anos e 7 anos de prisão no dia 6, quando se encontravam em Londres, onde a mulher de Sharif trata um câncer. A condenação, que seu clã denomina de "política", aumentou as tensões antes das legislativas, que o PML-N, partido de Sharif no poder desde 2013, espera vencer.

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