Terrorismo

Atentados deixam mais de 30 mortos na Bélgica

Explosões reivindicadas pelo Estado Islâmico aconteceram no aeroporto e em estação do metrô de Bruxelas

00:00 · 23.03.2016 / atualizado às 00:14
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Após os atentados, o governo belga pediu que as pessoas permanecessem onde estavam. O transporte público foi suspenso por várias horas, e as principais estações ferroviárias da capital também foram evacuadas ( Foto: AFP )

Bruxelas. Atentados extremistas, coordenados no aeroporto e no metrô de Bruxelas, deixaram ontem pelo menos 34 mortos e mais de 200 feridos, semeando o terror no coração da Europa. As autoridades lançaram busca aos radicais sobreviventes.

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Os ataques - nos quais provavelmente dois jihadistas morreram, segundo a Procuradoria - foram reivindicados pelo Estado Islâmico e ocorreram quatro dias após a detenção de Salah Abdeslam na cidade. Ele é o único sobrevivente dos atentados de 13 de novembro, em Paris, que deixaram 130 mortos.

A tragédia de ontem começou com duas explosões na área de embarque do aeroporto internacional de Zaventem, a nordeste da capital belga, provocando cenas terríveis, com corpos mutilados e pânico entre os passageiros que fugiam do local. Pelo menos 14 pessoas morreram, e 96 ficaram feridas, segundo o Corpo de Bombeiros.

Uma terceira bomba no aeroporto não chegou a explodir e, posteriormente, foi detonada pelos serviços de segurança. Cerca de uma hora depois do primeiro ataque, outra explosão no metrô de Bruxelas, na estação Maelbeeck, em pleno coração do bairro europeu, deixou "provavelmente 20 mortos e 106 feridos", afirmou o prefeito da cidade, Yvan Mayeur.

"A explosão foi muito violenta, a ponto de terem sido derrubados três muros em um estacionamento subterrâneo situado debaixo da estação", disse um porta-voz dos Bombeiros, Pierre Meys. "A identificação dos corpos não está concluída. Estavam totalmente despedaçados".

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Alerta máximo

Depois dos ataques, qualificados de "cegos, violentos e covardes" pelo primeiro-ministro belga, Charles Michel, o governo elevou o nível de alerta ao máximo, todos os voos de e para Bruxelas foram cancelados, e o transporte público, suspenso.

"Temíamos um atentado terrorista e aconteceu", disse o premiê Charles Michel em coletiva de imprensa. "As pessoas estavam simplesmente indo para o trabalho, para a escola, e foram alcançadas pela barbárie mais extrema", desabafou.

Testemunhas descreveram cenas de horror no aeroporto, com vítimas que jaziam no chão em um mar de sangue e de braços e pernas amputados. Em meio ao caos, imagens transmitidas pelas emissoras mostravam passageiros fugindo do terminal de janelas destruídas e de onde saíam colunas de fumaça.

"Um homem gritou palavras em árabe e escutei uma grande explosão", disse Alphonse Lyoura, que trabalha no aeroporto. "Era um pânico geral. Eu me escondi e esperei cinco, seis minutos. Algumas pessoas vieram me pedir ajuda", completou.

Suspeitos

As autoridades divulgaram a imagem de três suspeitos empurrando carrinhos de bagagem, dois deles "provavelmente realizaram um atentado suicida", informou o procurador Frederic Van Leeuw. O terceiro, vestindo jaqueta esportiva e chapéu escuro, é "intensamente procurado", segundo o procurador.

Uma imagem do indivíduo capturada pelas câmeras de vigilância do aeroporto foi divulgada pela Polícia para ajudar na identificação. O procurador informou que, em uma das buscas, na comuna de Schaerbeek, em Bruxelas, encontraram "um artefato explosivo que continua pregos (...), produtos químicos e uma bandeira do Estado Islâmico".

O grupo reivindicou os atentados em comunicado divulgado na Internet. Para o procurador belga, é "cedo demais" para estabelecer um vínculo com os atentados de 13 de novembro, em Paris, no qual morreram 130 pessoas. Até o fechamento desta edição, as autoridades não divulgaram um balanço definitivo de vítimas - sabe-se que são de nacionalidades diversas. Uma peruana morreu. Já entre os feridos, há quatro americanos, dois colombianos e oito franceses.

Frases

União

"Devemos estar juntos, independentemente da nacionalidade, da raça ou da fé, na luta contra o flagelo do terrorismo"

Barack Obama
Presidente dos EUA

Reação

"Toda a Europa foi atingida e deve tomar as medidas imprescindíveis diante da gravidade da ameaça"

François Hollande
Presidente da França

Solidariedade

"O papa Francisco confia à misericórdia de Deus os que perderam a vida e associa-se pela oração à dor dos seus próximos"

Papa Francisco
Em telegrama ao arcebispo de Bruxelas

Desprezo

"São ataques desprezíveis que atingem o coração da Bélgica e o centro da União Europeia".

Ban ki-moon
Secretário Geral da ONU

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