Afeganistão

Ataques suicidas matam crianças e jornalistas

Estado Islâmico assumiu autoria de duplo atentado que deixou nove profissionais de imprensa mortos

Amigos e parentes fazem orações antes do enterro do corpo de Shah Marai, jornalista da agência France Presse, uma das vítimas dos atentados ( Foto: AFP )
00:00 · 01.05.2018 / atualizado às 00:30

Kandahar. Ao menos 37 pessoas, incluindo um fotógrafo da agência de notícias France Presse (AFP) e outros nove jornalistas, morreram em uma série de atentados em Cabul e no sul do Afeganistão, ontem.

Na parte da manhã, um duplo atentado suicida atingiu a capital, deixando ao menos 25 mortos, entre eles o chefe de Fotografia da AFP em Cabul, Shah Marai. Outros oito jornalistas morreram no segundo ataque.

Horas depois, outro atentado suicida em Kandahar (sul) matou 11 crianças, enquanto um repórter afegão da emissora britânica BBC foi morto a tiros em Jost (sudeste).

"É com enorme tristeza que a BBC confirma a morte do nosso repórter afegão Ahmad Shah como consequência de um atentado", disse a BBC em nota.

O duplo ataque suicida em Cabul foi reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI). Em um comunicado divulgado por sua agência de propaganda Amaq, o grupo afirma que o primeiro atentado atingiu a sede em Cabul do serviço de Inteligência e das forças de segurança afegãs, e o segundo, os jornalistas que seguiram para o local. "Os apóstatas das forças de segurança, dos meios de comunicação e outras pessoas compareceram ao local da operação, onde um irmão os surpreendeu com seu colete de explosivos", completou o braço do EI no Afeganistão. O Ministério do Interior divulgou um balanço de 25 mortos e 49 feridos.

A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e o Centro de Jornalistas do Afeganistão anunciaram que nove profissionais da imprensa morreram no atentado. De acordo com uma fonte das forças de segurança, o homem-bomba que atacou a imprensa estava disfarçado como um fotógrafo, com uma câmera. "Essa tragédia nos recorda o perigo incessante enfrentado por nossas equipes no terreno e o papel fundamental dos jornalistas para a democracia", reagiu o CEO da AFP, Fabrice Fries.

Marai e outros jornalistas seguiram para o local do primeiro atentado, cometido pouco antes das 8h locais em uma área próxima à sede do Serviço de Inteligência Afegão (NDS) em Cabul.

No fim da manhã, um novo atentado, cometido com um carro-bomba, matou 11 crianças que estavam próximas a um comboio de soldados romenos da Otan, perto do aeroporto de Kandahar, sul do país, informou o porta-voz do governo da província, Said Aziz Ahmad Azizi.

Outras 16 pessoas ficaram feridas, incluindo cinco soldados romenos da Otan e dois policiais afegãos. Além disso, houve o ataque que vitimou o repórter da BBC em Jost.

Ofensiva de primavera

Na semana passada, os talibãs anunciaram o início da ofensiva de primavera, rejeitando implicitamente os apelos recentes do governo afegão para o início de negociações de paz.

Cabul se tornou, de acordo com a ONU, o local mais perigoso do Afeganistão para os civis com um aumento dos atentados, geralmente cometidos por homens-bomba e reivindicados pelos talibãs, ou pelo grupo extremista EI. Os atentados contra civis provocaram o dobro de vítimas nos primeiros três meses de 2018 - 763 civis mortos, 1.495 feridos- na comparação com o mesmo período de 2017.

Um ataque em 22 de abril na capital afegã deixou quase 60 mortos e 20 feridos em um bairro de maioria xiita.

Em 27 de janeiro, um atentado na cidade provocou 103 mortes e deixou mais de 150 feridos.

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