No Iêmen

Ataque mata ao menos 29 crianças

00:00 · 10.08.2018
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Atentado contra ônibus movimentou hospitais do norte do país asiático coma chegada de feridos ( FOTO: AFP )

Sana. Dezenas de pessoas morreram e várias ficaram feridas, ontem, em um ataque contra um ônibus que transportava crianças no norte do Iêmen, anunciou a representação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no país. Um hospital que conta com o apoio do CICV "recebeu os corpos de 29 menores com menos 15 anos e 48 feridos, entre eles 30 crianças", informou a organização no Twitter.

Em Sana, capital do Iêmen controlada pelos rebeldes huthis, um porta-voz do comitê explicou que o balanço não é definitivo porque algumas vítimas foram levadas a outros hospitais.

A coalizão admitiu ter executado um ataque aéreo contra um ônibus, mas garante que ele não transportava crianças, mas sim "combatentes huthis", afirmou seu porta-voz, Turki al Maliki.

Os veículos de comunicação dos rebeldes apresentaram um balanço de 50 mortos e 77 feridos - cifra que ainda não pode ser confirmada de forma independente. Um porta-voz do Ministério da Saúde dos huthis confirmou que o balanço era especialmente alto porque o ataque atingiu um mercado cheio.

Segundo a ONG Save The Children, que condenou o que chamou de "ataque horrível" e pediu uma investigação independente, ele ocorreu quando as crianças voltavam de ônibus para a escola após um piquenique.

"De novo, inúmeras crianças teriam sido mortas, ou feridas, quando um ônibus escolar foi atacado no norte do Iêmen. Todas essas crianças teriam menos de 15 anos. Será que o mundo tem realmente necessidade de ver mais crianças inocentes mortas para parar a guerra cruel no Iêmen?", reagiu diretor do Unicef, Geert Cappelaere.

Crise humanitária

No último dia 2, pelo menos 55 civis morreram, e 170 ficaram feridos em ataques em Hodeida.

A coalizão liderada pela Arábia Saudita nega envolvimento ter lançado os ataques.

Pertencentes à minoria zaidi xiita, os rebeldes huthis contam com o apoio do Irã, que nega, contudo, que forneça ajuda militar. A guerra no Iêmen deixou mais de 10 mil mortos desde a intervenção da coalizão em março de 2015 e deflagrou a pior crise humanitária do mundo.

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