Arma química

Ataque a ex-espião russo: relatório sai na próxima semana

00:00 · 05.04.2018
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Yulia, filha do ex-espião russo Serguei Skripal, apresentou melhora, mas segue internada ( Foto: AFP )

Haia. O diretor-geral da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq), Ahmet Üzümcü, disse, ontem (4), que os resultados das investigações sobre o produto usado no ataque químico realizado no Reino Unido devem ser conhecidos na próxima semana.

Ahmet Üzümcü fez a afirmação durante a 57ª sessão do Conselho Executivo da Opaq, em Haia, na Holanda. Os resultados dizem respeito ao suposto uso de gás neurotóxico contra o ex-espião russo Serguei Skripal e sua filha, Yulia, na cidade britânica de Salisbury, em 4 de março.

O Reino Unido pediu à Opaq uma investigação independente. Segundo o diretor-geral da organização, os seus especialistas foram até ao local e recolheram amostras ambientais e das três vítimas, incluindo um agente da polícia que socorreu os dois russos em Salisbury.

Üzümcü disse que os resultados são esperados para o início da próxima semana e que assim que estiverem prontos, o secretariado vai elaborar um relatório e enviar uma cópia para o governo do Reino Unido.

Ele lembrou que a sua equipe "trabalha de forma independente" e "não está envolvida com qualquer investigação nacional". Segundo ele, "nenhum Estado-membro está envolvido neste trabalho técnico".

União Europeia

Durante a reunião, também falou o embaixador da Bulgária junto à União Europeia (UE), Krassimir Kostov, que condenou o ataque "nos termos mais fortes possíveis". Segundo o diplomata, a UE "concorda com o Reino Unido de que é altamente provável que a Federação Russa seja responsável e não existe outra explicação plausível".

Kostov "considerou lamentável que a Federação Russa não tenha tido uma reação positiva ao convite inicial do Reino Unido para fornecer informação relevante". Em vez disso, afirmou ele, assistiu-se "a uma enchente de insinuações contra um número de Estados-membros da UE, numa atitude absolutamente inaceitável".

Em um clima tenso, a Rússia anunciou ontem não ter conseguido o apoio de dois terços dos votos na Opaq para participar da investigação sobre o envenenamento do ex-espião russo. "Precisávamos de uma maioria qualificada", declarou o embaixador russo Alexander Shulgin.

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