Confirma Quito

Assange é cidadão equatoriano

Fundador do Wikileaks está refugiado na embaixada do Equador em Londres desde 19 de junho de 2012 e conseguiu asilo em agosto do mesmo ano ( Foto: AFP )
00:00 · 12.01.2018

Quito/Londres. O Equador concedeu a nacionalidade ao criador do site WikiLeaks, o australiano Julian Assange, de 46 anos, asilado em sua embaixada em Londres desde 2012, em uma tentativa vã de resolver sua delicada situação.

A chanceler María Fernanda Espinosa afirmou, ontem, que, após conceder-lhe a naturalização em 12 de dezembro, o governo equatoriano pediu a Londres que reconhecesse Assange como "agente diplomático". Isto lhe teria dado imunidade para sair da embaixada sem ser preso.

"Este pedido foi negado em 21 de dezembro", acrescentou a diplomata, explicando que o Equador não insistirá nesta opção, proposta para "incrementar" as "possibilidades de proteção" de Assange.

O fundador do WikiLeaks, site que difundiu milhares e milhares de segredos oficiais americanos, entrou na embaixada equatoriana em Londres em 2012 para escapar de sua extradição para a Suécia, onde a Justiça queria interrogá-lo como suspeito de vários delitos sexuais que ele nega.

Assange, que no mesmo ano recebeu asilo diplomático do Equador sem que Londres lhe desse um salvo-conduto para que pudesse deixar a embaixada em liberdade, sempre denunciou que se trata de um pretexto para ser enviado aos EUA, onde teme sofrer represálias.

No entanto, a manobra equatoriana não teve o efeito desejado, e Assange prosseguirá, por enquanto, recluso na sede diplomática. Para o internacionalista Michel Levi, o que mudou é o "status migratório" do australiano, mas sua situação continua sendo a mesma: se deixar a delegação, expõe-se a ser preso.

"A naturalização não muda sua condição com o Reino Unido no sentido de que ele descumpriu uma disposição judicial da Corte de Justiça daquele país. Assim, mesmo com a cidadania equatoriana, ele tem um dever pendente com o Reino Unido".

Espinosa insistiu, por sua vez, em que Quito continue explorando "outras vias de solução" para a situação de Assange. Entre elas, acrescentou, "uma possível mediação e bons ofícios de autoridades de renome, outros Estados ou organismos internacionais, que possam facilitar uma solução justa, definitiva e digna para todas as partes envolvidas".

Assange passaria algumas semanas na prisão no Reino Unido por ter violado os termos de sua liberdade condicional, mas seu temor é o julgamento nos EUA.

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