Ofensiva militar

Assad promete 'libertar' toda a Síria

Último reduto dos rebeldes, no nordeste do país, também pode sofrer bombardeios aéreos da Rússia

00:00 · 31.08.2018
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Combatentes contra o regime sírio se preparam, em Kafr Zeta, para um iminente ataque das forças leais ao ditador Bashar al-Assad, na província de Idlib ( Foto: AFP )

Damasco/Idlib O governo Bashar al-Assad está decidido a "libertar todo território sírio", apesar do risco de "agressão ocidental", garantiu o ministro sírio das Relações Exteriores, Walid Muallem, ontem, no momento em que uma ofensiva militar de Damasco contra a província de Idlib parece iminente. Trata-se do último reduto dos rebeldes.

Há dias, o governo Assad reúne reforços nos limites dessa região no noroeste da Síria, na fronteira com a Turquia, antes de uma ofensiva que pode ser a última batalha de envergadura na guerra que assola a Síria desde 2011 e que já deixou mais de 350 mil mortos e milhões de deslocados e refugiados.

"Que tenha uma agressão tripartite, ou não, isso não influenciará nossa determinação de libertar todo território sírio", declarou Muallem, em entrevista coletiva em Moscou, por ocasião de conversas com seu colega russo, Serguei Lavrov.

Essa declaração foi dada após advertência feita, na semana passada, por EUA, França e Reino Unido ao presidente Assad. Esses três países disseram que não vão deixar impune qualquer uso de armas químicas por parte do governo em sua eventual ofensiva para retomar Idlib.

Cerca de 60% dessa última região síria está em poder do Hayat Tahrir al-Cham (HTS, formado por membros do ex-braço da rede Al-Qaeda) e conta com vários grupos rebeldes. Embora a Turquia dê um apoio direto a vários grupos rebeldes nos territórios do norte sírio, sua influência nos extremistas do HTS é limitada. O destino de Idlib, controlada pelos extremistas do HTS, preocupa Ancara, que tenta evitar uma ofensiva do regime.

"As negociações entre Turquia e HTS continuam", destacou o diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman, acrescentando que o lançamento da operação militar depende, portanto, "do fracasso, ou do êxito, das conversas com o HTS".

Moscou

Já a Rússia, que apoia Assad militarmente desde 2015, reivindica uma dissolução do HTS. "É a condição posta por Moscou para evitar uma grande ofensiva em Idlib", explicou Rahman.

Uma ofensiva do governo nessa região parece iminente, mas também depende da concordância de Moscou e Ancara. Na quarta-feira, Lavrov disse esperar que os países ocidentais não forneçam obstáculos à operação antiterrorista em Idlib. "Ainda resta a tarefa de liquidar os focos restantes do terrorismo, antes de tudo, na zona de desescalada de Idlib", insistiu Lavrov, ontem.

Nos últimos dias, Moscou reforçou sua presença militar no país e dispõe de seu maior contingente naval frente à Síria desde o início do conflito. O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, alertou sobre "os riscos crescentes de uma catástrofe humanitária, no caso de uma operação militar em larga escala na província de Idlib".

Mais de 25 navios e cerca de 30 aviões vão participar de exercícios militares no Mar Mediterrâneo de amanhã a 8 de setembro, anunciou o Ministério russo da Defesa, ontem. Os navios de guerra sairão de frotas do mar do Norte, do Báltico, do mar Negro e do mar Cáspio. Bombardeiros, caças e aviões de transporte participarão da operação.

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