De natureza migratória

América e Europa enfrentam crises

Nações Unidas pretende articular uma resposta regional ao êxodo venezuelano; UE é pressionada pela Itália

Enquanto aguardam permissão para entrar no território peruano, imigrantes da Venezuela são alimentados por religiosos em Tumbes, na fronteira ( Foto: AFP )
00:00 · 25.08.2018

Nova York/Caracas. A crise migratória ganhou novos capítulos na última semana nas Américas e na Europa. O êxodo venezuelano se acentua com o colapso econômico do país, motivando recentes casos de xenofobia e restrições à entrada dos imigrantes na região - no Brasil, principalmente em Roraima. No velho continente, os europeus seguem recusando receber refugiados da África e do Oriente Médio.

Na sexta-feira (24), o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antonio Guterres, revelou a intenção de articular uma resposta regional à crise na Venezuela. Uma equipe da ONU será criada para coordenar ações humanitárias.

Guterres disse que "vai criar um mecanismo de coordenação interna para garantir que a resposta regional da ONU seja bem coordenada".

A equipe que a ONU estabelecerá para a Venezuela incluirá especialistas de sua agência de refugiados e da Organização Internacional para as Migrações, entre outras dependências do organismo mundial.

Cerca de 2,3 milhões de venezuelanos fugiram do país desde que entrou na crise em 2014. Muitos foram forçados a deixar sua pátria por falta de comida. Mais de um milhão de imigrantes entraram na Colômbia nos últimos 16 meses.

O êxodo de migrantes da Venezuela está se aproximando de um "momento de crise" comparável à fuga de refugiados pelo Mediterrâneo, segundo a agência da ONU para migração.

O porta-voz da Organização para a Migração Internacional, Joel Millman, disse que fundos e maneiras de gerenciar a crise devem ser alcançados.

Também na sexta, o Equador, por sua vez, abriu um corredor humanitário para facilitar a passagem de ônibus levando centenas de imigrantes venezuelanos que pretendem chegar ao Peru antes que entrasse em vigor, neste sábado (25), as restrições para sua entrada nesse país.

O governo de Lenín Moreno decidiu facilitar o transporte dos venezuelanos apesar de ter imposto a necessidade de passaporte na semana passada. No fim da tarde de sexta, contudo, a Justiça do Equador suspendeu a medida que exigia passaporte aos migrantes venezuelanos.

Também enfrentando uma crise migratória, a Europa vive uma sequência de impasses sobre quem deve receber refugiados vindos da África e do Oriente Médio. Na sexta, o vice-presidente do Conselho Italiano, Luigi Di Maio, exigiu da União Europeia uma solução para a distribuição dos migrantes.

A pressão do governo italiano acontece após a nova recusa do ministro do Interior, Matteo Salvini, líder do partido de direita Liga, a autorizar o desembarque 150 migrantes, a maioria procedentes da Eritreia, que estão a bordo do "Diciotti". Salvini afirmou que a Itália não vai virar um "campo de refugiados" da Europa. O novo governo italiano pressiona a UE para administrar a chegada dos migrantes e exige a distribuição entre vários países. Roma impede ainda o acesso aos portos italianos dos barcos das ONG e associações humanitárias que resgatam migrantes.

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