No México

Aliança do Pacífico se reúne contra o protecionismo

00:00 · 24.07.2018

Puerto Vallarta. A Aliança do Pacífico, o grupo de livre-comércio formado por México, Chile, Colômbia e Peru, iniciaram ontem sua cúpula, com declarações favoráveis ao livre-comércio, em um momento em que as posturas protecionistas afloram no mundo todo, principalmente nos Estados Unidos.

"Com esses novos dilemas (comerciais), o que temos que fazer é nos convencer mais sobre a abertura, sobre a integração através das cadeias de valor, temos que seguir, não fraquejar", disse a jornalistas o secretário mexicano da Economia, Ildefonso Guajardo, após uma reunião de ministros do grupo. Esses países representam 38% do PIB da América Latina e, em conjunto, são a oitava economia mundial, com uma população de 223 milhões de habitantes.

Para o México, a Aliança do Pacífico é importante, já que busca diversificar seu comércio, fortemente dependente dos Estados Unidos, para onde envia 80% de suas exportações. Na cúpula deste ano, o bloco incluiu uma reunião com o Mercosul.

Nafta

O México atualmente revisa o Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês) com EUA e Canadá, em negociações que devem se estender até 2019. Jesús Seade, nomeado o novo negociador mexicano do Nafta, disse que o México deverá buscar uma forma de concluir a complexa negociação com os dois países, iniciada em agosto de 2017. "O desenvolvimento técnico foi muito bom, todas as posições defendidas são as corretas, todas as posições rejeitadas são as corretas, mas têm uma base técnica, temos que encontrar a forma de levar isso a uma conclusão", disse Seade, que foi nomeado para o cargo pelo presidente eleito do México, Andrés López Obrador.

O chanceler do Chile, Roberto Ampuero, disse que confia na permanência do México na Aliança do Pacífico com o governo do também esquerdista López Obrador. "Os acordos que assinamos são acordos entre Estados e enfatizam elementos que vão muito além do que as distintas opiniões políticas dos governos nos momentos determinados", enfatizou.

A Aliança do Pacífico também chama a atenção internacional e, por ora, Austrália, Canadá, Singapura e Nova Zelândia buscam se converter em Estados associados do grupo. Apesar do otimismo na Aliança do Pacífico, o grupo enfrenta desafios com as posturas protecionistas no mundo, em particular a dos EUA.

Neste ano, o governo Donald Trump sobretaxou o aço do México, Canadá e da União Europeia, assim como vários produtos chineses, o que gerou represálias de seus sócios comerciais e o risco de uma guerra comercial.

Lançado em 2012, o grupo de livre-comércio representa 50% do comércio da América Latina.

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