Conflito

Ação de Israel deixa 16 palestinos mortos

Segundo o Ministério da Saúde em Gaza, mais de 1.200 pessoas ficaram feridas nos atos contra o governo de Tel Aviv

Milhares de manifestantes se reuniram em vários pontos da fronteira do enclave com o território israelense, onde foram duramente reprimidos ( Foto: AFP )
00:00 · 31.03.2018

Gaza/Tel Aviv. Pelo menos, 16 palestinos da Faixa de Gaza foram mortos na sexta-feira (30) por soldados israelenses durante um encontro na fronteira entre milhares de manifestantes palestinos e o Exército israelense, que degenerou em confrontos em vários lugares do enclave.

De acordo com o ministério da Saúde em Gaza, mais de 1.200 feridos nos confrontos. O primeiro palestino foi morto por tiros da artilharia israelense no início da manhã, mesmo antes do início dos protestos.

O Crescente Vermelho Palestino identificou mais de 350 manifestantes feridos por tiros de soldados israelenses perto da fronteira, palco de confrontos frequentes entre habitantes do enclave sob cerco e soldados israelenses. Dezenas de milhares de manifestantes, incluindo mulheres e crianças, se reuniram em vários pontos da fronteira para "a grande marcha de retorno", um movimento de protesto que deve durar seis semanas para exigir o "direito de retorno" para os refugiados palestinos e denunciar o estrito bloqueio a Gaza.

"A grande marcha do retorno" foi lançada por ocasião do "Dia da Terra", que marca a cada 30 de março a morte em 1976 de seis árabes israelenses durante manifestações contra o confisco de terras por Israel.

Os palestinos e a Turquia denunciaram o "uso desproporcional" da força por Israel. A Liga Árabe classificou o ato de "selvagem". O presidente palestino, Mahmud Abbas, atribuiu a Israel toda responsabilidade pelas mortes dos manifestantes.

Confrontos

Um porta-voz do Exército israelense estimou em 17 mil o número palestinos em manifestações em "seis locais" na Faixa de Gaza na sexta.

No final do dia, o Exército israelense indicou que atacou três posições do Hamas na Faixa de Gaza em resposta a uma tentativa de ataque contra soldados por manifestantes. Militares e políticos israelenses alertaram que o Exército não hesitaria em atirar, caso os palestinos tentassem se infiltrar no território israelense. "O Exército israelense impôs uma zona militar fechada ao redor da Faixa de Gaza, qualquer atividade neste setor requer sua autorização", disse o porta-voz do Exército.

Os manifestantes "rolam pneus queimados e atiram pedras contra a cerca de segurança e tropas israelenses, que recorrem a meios anti-motins e disparam contra os principais líderes", acrescentou. Organizada oficialmente pela sociedade civil, "a marcha do retorno" é apoiada pelo Hamas, o movimento islâmico palestino que governa a Faixa de Gaza.

'Provocação'

O ministro da Defesa israelense, Avigdor Lieberman, alertou que "centenas de franco-atiradores (israelenses)" foram posicionados na fronteira. "A liderança do Hamas está brincando com suas vidas", escreveu Lieberman em árabe. "Todos aqueles que se aproximarem da barreira (de segurança) se colocarão em perigo, sugiro que continuem suas vidas diárias e não participem de uma provocação", acrescentou.

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