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Brincadeira séria

Games

04:00 · 30.11.2017
De ciberatletas a desenvolvedores de jogos, o mercado de games possui um vasto campo de atuação para quem quer viver desta área. Mas engana-se quem pensa que esses 
profissionais estão só de brincadeira. Quem quer seguir carreira na área precisa se qualificar e conhecer bem o mercado. Na área de desenvolvimento de jogos, por exemplo, é possível atuar como programador, game designer (o gerente de projeto de um game), designer gráfico, designer de áudio, produtor, level designer (responsável por elaborar os níveis e dificuldades do jogo), roteiristas e testador de Jogos.
Neste setor, saber trabalhar em equipe é necessário. “Além de estar 'antenado' com o mercado e conhecer bastante sobre o segmento, saber trabalhar coletivamente é fundamental”, observa Izequiel Norões (FOTO ACIMA), professor do curso de Jogos Digitais, na Estácio, Presidente da União Cearense de Gamers (UCEG) e empresário do ramo. “Ser comunicativo e explicar detalhes de sua área de trabalho para os colegas de outras áreas é essencial, assim como documentar e buscar se qualificar sempre é importante para ser um bom profissional”, completa.
 
ALTERNATIVAS
Outro campo de atuação é a área de produção de conteúdo, que trabalha com canais de internet como YouTube e Twitch, além de mídia especializada com jornalistas, blogueiros
etc. A área de vendas também é uma alternativa, podendo atuar como representante de empresas ou distribuidoras e marketing para jogos.
Mais recentemente, os jogadores profissionais têm se destacado no setor, atraindo candidatos dispostos a ter uma verdadeira rotina de atletas, com salários altos e várias horas  de treinamento. “Isso existia há um bom tempo, com os jogadores que eram pagos por revistas  e sites para 'debulhar' jogos.
Mas hoje, com uma pegada mais ligada aos esportes eletrônicos (e-sports), temos atletas digitais que ganham tão bem ou melhor que atletas convencionais”, avalia Izequiel 
Norões.
A qualificação de quem trabalha com games é das mais diversas. “Como os jogos são mídias interativas, temos a compreensão do que se chama de perfis que abrangem várias áreas de conhecimento, no sentido mais amplo da cognição humana (conceito de transdisciplinaridade). No Brasil temos muitos casos conhecidos de profissionais das mais  variadas áreas diferentes que hoje atuam como jogadores profissionais, na produção de jogos, em vendas e em eventos na área”, pontua Izequiel Norões.
 
POR AQUI
Em Fortaleza, as oportunidades de se qualificar já existem até para crianças e adolescentes que desejam aprender a desenvolver jogos, em escolas de nível técnico. Em nível superior, quatro instituições já oferecem o cursos de jogos digitais de graduação e pós-graduação. São elas: Estácio (graduação e pós-graduação), Faculdade Farias Brito (graduação), Centro Universitário Christus (pós-graduação) e Universidade Federal do Ceará (UFC), com o curso de Sistemas e Mídias Digitais, que possui uma linha para a Criação de Jogos.  “Tem outras faculdades que, dentro de seus cursos de Tecnologia da Informação, os alunos também podem usufruir de núcleos de desenvolvimento de jogos, como a Universidade de Fortaleza e a Universidade 7 de Setembro”, pontua Izequiel Norões.
 
MERCADO DIVERSIFICADO
Do primeiro console de videogames (Magnavox Odissey, lançado em 1970) para os jogos em 4k e nos celulares, muita coisa mudou no mercado de games. Nem o consumidor é  mais o mesmo. Hoje, o perfil é de um público mais maduro, de 25 a 54 anos em sua maioria, e as mulheres são 53,6% dos jogadores no país; para completar, sua plataforma preferida para jogar é o celular. Esses são dados de uma pesquisa feita pela Sioux, uma consultoria especializada em mídia digital.
O cenário é outro e o faturamento do setor é crescente. “Hoje, falamos de um mercado que trata de mais de US$ 100 bilhões no mundo e que, inclusive, ultrapassou a indústria do cinema em vendas desde 2012”, observa Izequiel Norões. No Brasil, que está em 13º lugar no ranking de consumo mundial, os números beiram a mais de US$ 1,6 bilhão. “Já
temos empresas no Brasil que faturaram seu milhão neste mercado e temos  inclusive mais de 300 empresas produtoras de jogos no nosso País”, destaca o Presidente da UCEG.
No Ceará, segundo Izequiel Norões, as perspectivas também são boas. “No nosso Estado, o mercado consumidor tem crescido e lojas estão sendo abertas, principalmente nos maiores shoppings nos últimos anos. Há registros da União Cearense de Gamers (entidade de cultura de jogos no nosso Estado) que apontam entre 8 a 10 lojas (exclusivamente
focadas em games) abertas somente em Fortaleza nos últimos três anos”, afirma.
O cenário positivo dá sinais de um mercado promissor para quem quer trilhar a carreira no setor de game. O que não significa que seja fácil viver de jogos por aqui. “Lá fora há  profissionais que anualmente têm seus salários na base de US$ 60 a 70 mil anuais. Mas há uma grande diferença nos números do mercado de vendas e de produção nacional,
uma vez que ainda consumimos muito mais jogos produzidos no exterior. A média salarial nacional entre os profissionais do mercado de jogos é de R$ 2 mil a R$ 5 mil, podendo chegar aos R$ 18 mil e até um pouco mais”, estima Izequiel Norões.
Segundo informa, no Ceará, existem de 5 a 10 empresas formalizadas ou em processo de formalização. “Se contarmos com desenvolvedores independentes, temos números que passam de 20 entidades desenvolvendo jogos por aqui. Já temos empresas que inclusive fazem terceirização de seus serviços para empresas grande do mercado AAA (ou triple-A, que é usado para o mercado das grandes empresas de games mundial)”, afirma.

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