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Convivência e gastronomia

O espaço para o preparo das refeições ganha novas formatações. Modelo de cozinha integrada se torna objeto de desejo de muitos compradores de imóveis

10:47 · 06.07.2018

Não é de hoje que as cozinhas integradas caíram no gosto dos fortalezenses. Essa formatação está em crescente uso pelo mercado imobiliário e vem se tornando objeto de desejo por muitos que adquirem um novo imóvel, afirma André Pires, arquiteto da Directa Arquitetura, que pesquisou as cozinhas integradas em sua Pós-Graduação em Design de Interiores.

Este espaço geralmente consiste em uma cozinha não muito grande, com um balcão ou ilha que dá acesso direto à sala de jantar e à de estar. Ele conta com todos os equipamentos essenciais existentes em outras cozinhas, tendo a possibilidade de isolamento por meio de portas que recolhem.Mas nem sempre foi assim. A cozinha era costumeiramente um cômodo isolado, configurado e utilizado apenas para fins de preparo de alimentos e seu consumo.

Segundo André Pires, o espaço em questão sofreu alterações a partir do fim dos anos 50 até o início do século XXI. Não necessariamente enquanto espaço arquitetônico projetado propriamente dito, mas sim, em sua questão funcional. “Entender o porquê do surgimento de cozinhas mais compactas e que se estendam aos demais cômodos das residências pode nos mostrar diferentes comportamentos de uma parcela da sociedade e suas relações interfamiliares”, explica. E foi justamente o que aconteceu. Novos usos trouxeram nova formatação desse espaço.

TRABALHO

André Pires argumenta que as transformações tecnológicas e industriais levaram o homem a balancear a importância da atribuição do trabalho como foco central da vida. “Vemos que, com a simplificação das tarefas da vida cotidiana e o uso constante da cozinha como lugar de convívio e trocas familiares, o cômodo deixou de ser apenas um local de preparo e consumo da refeição, como era alguns séculos atrás”, constata o arquiteto.

Ele cita outros pontos que contribuíram para a evolução das cozinhas: fatores sociais e tecnológicos, como a modificação dos grupos domésticos; a redução do tempo de trabalho; a generalização do espaço feminino, tendo como consequência a redistribuição dos papéis dentro da estrutura familiar, além de uma maior utilização dos equipamentos domésticos e a simplificação das tarefas. Houve ainda fatores ligados às mudanças de atitudes da população, como as modificações das fronteiras do espaço privado e a flexibilidade de uso.

CONVÍVIO

Com tudo isso, a cozinha se tornou um espaço multifuncional. Grande parte dos entrevistados da pesquisa de André Pires utiliza constantemente o ambiente da cozinha não apenas para cozinhar, qualificando a área como lugar de convívio e trocas familiares.
Nos últimos anos, isso gerou, no mercado imobiliário, grande expansão do modelo de cozinha integrada com a sala de estar/jantar ou a varanda, pontua o arquiteto. Ele diz que muitos clientes já se mudam para a habitação com essa configuração montada. Apesar disso, nunca pensam em modificá-la. “Alguns levam em conta essa característica como um dos fatores determinantes para a escolha do imóvel. Isso mostra que há uma aceitação da população pelas cozinhas integradas oferecidas pelo mercado imobiliário”, descreve o profissional.

E o modelo tem sido bem aceito devido às vantagens que oferece: a interação com os demais ambientes da casa, como sala e varanda, proporciona um preparo das refeições mais agradável; amplitude visual e fácil manutenção, “tornando-se um espaço desejado por muitos”, arremata o arquiteto pós-graduado em Design de Interiores.

TENDÊNCIA

A evolução das cozinhas tem a ver também com um novo comportamento da população: receber convidados no aconchego do lar. “A tendência partiu do hábito de as pessoas quererem passar mais tempo em casa, pela segurança e pela economia. Também podemos considerar o fato de os meios de comunicação, como internet e TV, despertarem nas pessoas a gastronomia como hobby, já que é muito fácil acessar receitas e formas práticas de cozinhar. Assim, qualquer pessoa que queira pode cozinhar”, relata Alexandre Pires, Gerente de Projetos da Diagonal Engenharia.

Ele observa que esse comportamento levou ao aumento do número de cozinhas integradas e de espaços gourmets nos empreendimentos residenciais, isto é, locais que unem o receber visitantes com conforto e o momento do preparo das refeições. A possibilidade de preparar alimentos na presença de convidados é o grande diferencial desses ambientes, possibilitando maior interação entre amigos, familiares e aqueles que têm por hobby cozinhar.
 

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